Caso Beatriz: menina foi morta para ser silenciada após ver faca e se assustar, diz polícia

Informação foi dada pelo secretário de Defesa Social de Pernambuco, Humberto Freire, em coletiva de imprensa

Beatriz Angélica Mota
Legenda: Beatriz Angélica Mota foi morta para ser silenciada, segundo a polícia
Foto: Reprodução/TV Globo

O suspeito que confessou o assassinato de Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, morta a facadas dentro de um colégio particular em Petrolina em 2015, cometeu o crime para silenciá-la, após a menina ter se assustado ao vê-lo com uma faca. Foi o que disse o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Humberto Freire. As informações são do G1.

"Temos a motivação alegada se coadunando [coincidindo] com a dinâmica dos fatos que, ao haver contato do assassino com a vítima, ela teria se desesperado e por isso foi silenciada a golpes de faca", declarou o secretário em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (12), no Recife.

Marcelo da Silva, de 40 anos, foi identificado como suspeito de assassinar a garota, após a Polícia Científica de Pernambuco encontrar DNA dele no cabo da faca usada no crime. Ele integrava o Banco Estadual de Perfis Genéticos e já estava preso devido a outros crimes. 

O homem confessou ser o autor da morte da criança e foi indiciado nessa terça-feira (11), após ser ouvido por delegados.

suspeito de cometer o crime vestindo regata amarela e olhando para a câmera
Legenda: Marcelo da Silva, de 40 anos, confessou o crime
Foto: Reprodução/TV Globo

Na terça-feira (11), a mãe da criança, Lucinha Mota, declarou, que o crime, cometido no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, ainda precisa de respostas para ser considerado elucidado

Na transmissão para os seguidores, Lucinha explicou que os familiares não foram avisados sobre a identificação do suposto assassino, e tiveram conhecimento através da imprensa. 

"A gente está tentando aqui buscar informação, porque eles devem isso a gente. Acho isso até desumano por parte da polícia fazer algo nesse sentido e não nos comunicar, porque não custava nada. São quatro delegados que estão no inquérito, um não podia parar para me ligar?"

O laudo final do Caso Beatriz foi concluído na segunda-feira (10) e enviado terça à Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

O documento da perícia técnica, ao qual a TV Globo teve acesso exclusivo, não esclarecia a motivação do crime e não detalha quais outros crimes Marcelo da Silva responde. Ele está preso em Salgueiro, no Sertão pernambucano.

Desde o dia do assassinato da criança, em 10 de dezembro de 2015, a polícia realizou sete perícias. Segundo o G1, o inquérito ainda reuniu 24 volumes, 442 depoimentos e 900 horas de imagens analisadas.

Família lutava por respostas e justiça

Em dezembro do ano passado, os pais da menina realizaram um trajeto a pé de mais de 700 quilômetros (km), de Petrolina a Recife, em busca de respostas para o crime e para pedir justiça. 

O ato durou 23 dias e teve o apoio de autoridades municipais e dos moradores das cidades por onde eles passavam. 

"Resolvi caminhar por amor à Beatriz. Para chamar a atenção do estado para a solução do caso de Beatriz. O estado ele tem obrigação de solucionar o inquérito de Beatriz, como também ele pode nos ajudar a federalizar o inquérito, porque já existe o pedido tramitando no Ministério Público Federal, ou ele pode aceitar a colaboração dos americanos", disse a mãe da menina, Lúcia Mota, na ocasião. 

Crime

sala com materiais queimados
Legenda: Corpo da menina foi encontrado atrás de um armário, em uma sala de material esportivo desativada
Foto: Reprodução/TV Globo

Beatriz Angélica foi morta na quadra do colégio Maria Auxiliadora. Lá, acontecia solenidade de formatura das turmas do terceiro ano — a irmã era uma das formandas da cerimônia.  

A última imagem da criança foi registrada às 21h59 do dia 10 de dezembro de 2015, quando ela se afasta de Lúcia e se dirige ao bebedouro da instituição, localizado na parte inferior da quadra.

Minutos depois, o corpo da menina foi encontrado atrás de um armário, em uma sala de material esportivo desativada após o incêndio causado por ex-alunos da escola. 

Em maio, a empresa norte-americana Criminal Investigations Training Group produziu e divulgou uma nova imagem do suspeito.