Caso Beatriz: Mãe da vítima diz que DNA não determina autor e crime não foi elucidado

Lucinha Mota afirmou que a investigação ainda precisa de respostas para ser considerada concluída

Lucinha Mota e filha Beatriz Angélica Mota, morta em 2015 aos 7 anos, em Petrolina, Pernambuco
Legenda: Mulher revelou que os familiares não foram avisados sobre a identificação do suposto assassinado, e tiveram conhecimento através da imprensa
Foto: reprodução/Instagram

Após um suspeito ser identificado e confessar ter matado a menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, com 42 facadas, em 2015, a mãe da criança, Lucinha Mota, declarou, nesta terça-feira (11), que o crime ainda precisa de respostas para ser considerado elucidado.

"No inquérito de Beatriz, não cabe um inocente. Não cabe. Aqui no inquérito de Beatriz só cabe os culpados", disparou 

"Se foi feito exame de DNA, se deu positivo, tem outros elementos que precisam ser confirmados, principalmente a motivação do crime, porque não vem a polícia dizer que ele é um doido que estava no meio da rua e entrou no colégio, não. Não venham com esse argumento porque comigo não cola, não. Ninguém entra no colégio Auxiliadora sem ser conduzido por alguém, principalmente para entrar naquelas salas ali. O DNA por si só não é suficiente." 
Lucinha Mota
mãe da menina Beatriz

Marcelo da Silva, de 40 anos, foi identificado como suspeito de assassinar a garota, após a Polícia Científica de Pernambuco encontrar DNA dele no cabo da faca usada no crime. Ele integrava o Banco Estadual de Perfis Genéticos e já estava preso devido a outros crimes. 

O homem confessou ser o autor da morte da criança e foi indiciado nessa terça, após ser ouvido por delegados. 

suspeito de cometer o crime vestindo regata amarela e olhando para a câmera
Legenda: Marcelo da Silva, de 40 anos, confessou o crime
Foto: Reprodução/TV Globo

Na transmissão para os seguidores, Lucinha explicou que os familiares não foram avisados sobre a identificação do suposto assassinado, e tiveram conhecimento através da imprensa. 

"A gente está tentando aqui buscar informação, porque eles devem isso a gente. Acho isso até desumano por parte da polícia fazer algo nesse sentido e não nos comunicar, porque não custava nada. São quatro delegados que estão no inquérito, um não podia parar para me ligar?"

Segundo a mãe, a família e advogados de Beatriz devem participar da coletiva de imprensa convocada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, e que acontece nesta quarta-feira (12).

"Nós não fomos informados, mas vamos levar os nossos advogados, nós vamos estar presentes porque a gente precisa de respostas. Já que a polícia não nos dá respostas, vamos para a coletiva. E vamos também ter acesso ao inquérito, para a gente poder saber também o que está acontecendo".

Motivação não esclarecida

Beatriz Angélica foi morta durante uma festa no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, instituição particular tradicional de Petrolina, Pernambuco.

O laudo final do Caso Beatriz foi concluído na segunda-feira (10) e enviado terça à Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

O documento da perícia técnica, ao qual a TV Globo teve acesso exclusivo, não esclarece a motivação do crime e não detalha quais outros crimes Marcelo da Silva responde. Ele está preso em Salgueiro, no Sertão pernambucano.

Desde o dia do assassinato da criança, em 10 de dezembro de 2015, a polícia realizou sete perícias. Segundo o G1, o inquérito ainda reuniu 24 volumes, 442 depoimentos e 900 horas de imagens analisadas.

Família lutava por respostas e justiça

Em dezembro do ano passado, os pais da menina realizaram um trajeto a pé de mais de 700 quilômetros (km), de Petrolina a Recife, em busca de respostas para o crime e para pedir justiça. 

O ato durou 23 dias e teve o apoio de autoridades municipais e dos moradores das cidades por onde eles passavam. 

"Resolvi caminhar por amor à Beatriz. Para chamar a atenção do estado para a solução do caso de Beatriz. O estado ele tem obrigação de solucionar o inquérito de Beatriz, como também ele pode nos ajudar a federalizar o inquérito, porque já existe o pedido tramitando no Ministério Público Federal, ou ele pode aceitar a colaboração dos americanos", disse a mãe da menina, Lúcia Mota, na ocasião. 

Crime

sala com materiais queimados
Legenda: Corpo da menina foi encontrado atrás de um armário, em uma sala de material esportivo desativada
Foto: Reprodução/TV Globo

Beatriz Angélica foi morta na quadra do colégio Maria Auxiliadora. Lá, acontecia solenidade de formatura das turmas do terceiro ano — a irmã era uma das formandas da cerimônia.  

A última imagem da criança foi registrada às 21h59 do dia 10 de dezembro de 2015, quando ela se afasta de Lúcia e se dirige ao bebedouro da instituição, localizado na parte inferior da quadra.

Minutos depois, o corpo da menina foi encontrado atrás de um armário, em uma sala de material esportivo desativada após o incêndio causado por ex-alunos da escola. 

Em maio, a empresa norte-americana Criminal Investigations Training Group produziu e divulgou uma nova imagem do suspeito.