'Gatinha da Cracolândia' diz nunca ter vendido drogas: 'só ia para comprar'

Lorraine Bauer Romeiro, 19 anos, afirmou passar por 'injustiça' em entrevista

Lorraine Bauer Romeiro, a 'Gatinha da Cracolândia, de biquíni em frente a rio
Legenda: Jovem já chegou a trabalhar como garota-propaganda
Foto: reprodução/Instagram

Lorraine Bauer Romeiro, 19 anos, famosa pelo apelido "Gatinha da Cracolândia", afirmou nunca ter vendido drogas — ela disse ser apenas usuária de entorpecentes. A declaração foi dada na primeira entrevista desde que ficou nacionalmente conhecida pela alcunha. As informações são do UOL.

"Tudo que está acontecendo na minha vida é uma injustiça", lamentou ela em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, do programa Domingo Espetacular, da Record. "Se eu estivesse pagando por coisas que eu fiz, estaria com o coração mais tranquilo. A pior coisa do mundo é ser acusada por coisas que você não fez. Nada daquilo era meu. Não sou chefe de crime de tráfico nenhum".

Presa desde 22 de julho deste ano por suspeita de tráfico de drogas, a jovem estava, na ocasião da captura, com mais de 400 porções de crack, cocaína, maconha e ecstasy, além de quase 100 frascos de lança-perfume, conforme a Polícia. A prisão ocorreu em Barueri (SP), menos de um mês depois de ser detida pelo mesmo crime.

"Gatinha da Cracolândiae o começo precoce

Na entrevista, Lorraine revelou que usou drogas pela primeira vez por volta dos 14 ou 15 anos, ao fumar maconha. "Eu acabei gostando da sensação, e aí, no outro dia, queria de novo e de novo", relata, afirmando ter percebido, ali, que tinha virado dependente.

Daí, ela passou a experimentar outros entorpecentes. "Já usei bala, cocaína, lança-perfume e maconha", enumera, acrescentando nunca ter comercializado nenhum dos materiais. "Nunca vendi, só ia para comprar".

Além disso, ela negou ter guiado a Polícia até um hotel no bairro Santa Cecília, em São Paulo (SP), no qual encontraram uma mochila com 85 porções de maconha, 295 de cocaína e oito de crack.

Estilo de vida luxuoso

Quando detida, Lorraine possuía mais de 30 mil seguidores no Instagram, onde ostentava um estilo de vida luxuoso. Após a prisão, diversos perfis falsos foram criadores em redes sociais como Instagram e Facebook, e um deles chegou a bater quase 20 mil seguidores.

"Eu sempre gostei muito de tirar foto, gravar vídeo. Eu criei meu Instagram e, como também era modelo, fazia ensaio de fotos, ia postando. Foi aí que comecei a ganhar bastante seguidor", contou.

Lorraine Bauer Romeiro, a Gatinha da Cracolândia, de biquíni em frente a rua
Legenda: Lorraine chegava a lucrar R$ 6 mil por dia com venda de drogas, segundo Polícia
Foto: reprodução/Instagram

Envolvimento do namorado

Segundo o portal Metrópoles, ela chegou a ser fotografada pela Polícia paulista em uma tenda na cracolândia, no Centro de São Paulo, frente a um maço de dinheiro, ao lado do namorado.

O companheiro da jovem, dizem as autoridades, é apontado como um dos principais traficantes da área. Os dois foram presos em 30 de junho de 2021; ela, contudo, conseguiu liberdade condicional por ser mãe de uma criança.

Lorraine, porém, afirmou que não saberia dizer se o namorado seria envolvido com o tráfico — ela disse se arrepender de decisões tomadas na vida.

“Eu mesmo não tenho respostas, não sei porque minha vida se tornou o que ela é. Me arrependo totalmente dos meus atos. Não me arrependo porque estou presa. É mais pela minha família. Sei que eles estão presos comigo”, diz. 

Atuação no tráfico

De acordo com Roberto Monteiro, delegado da Seccional do Centro de São Paulo, Lorraine descreveu como atuava na região.

“Ela agia como liderança do tráfico. Nós temos em cada tenda [na Cracolândia] em média dez mesas, que são alugadas de outros traficantes. E ela era líder de um desses segmentos, substituindo seu companheiro, que está preso também por tráfico. Ela ostenta um nível de vida alto, e tudo isso proveniente do tráfico de drogas”, afirmou o delegado ao Metrópoles.

Investigação policial apontou que a jovem chegava a obter R$ 6 mil de lucro por dia, dado que ela pegava um quilograma de drogas por R$ 21 mil e o vendia por até R$ 35 mil.

Outras atuações

Embora fosse conhecida no mundo das drogas, a jovem aparentava ter uma rotina normal: conforme o Metrópoles, ela morava com a mãe, corretora de imóveis, o irmão e a filha de dez meses em um condomínio fechado em Barueri.

Além de estudar Direito em uma universidade privada paulistana, Lorraine também tentava carreira de modelo. Ainda segundo o jornal, ela chegou a fazer contato, em 2019, com uma agência de modelos sediada em São Paulo e com filial no Rio de Janeiro, chegando a trabalhar na propaganda de uma marca de roupas de Alphaville.

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