Comitiva brasileira enviada à Israel visita desenvolvedores de spray nasal contra Covid-19

Spray está em estudos clínicos para verificar eficácia; comitiva foi obrigada a usar máscaras e manter distanciamento

Uma comitiva brasileira enviada à Israel deve visitar, nesta segunda-feira (8), o Centro Médico Sourasky (Hospital Ichilov), responsável pelo desenvolvimento de um spray nasal com possível eficácia contra a Covid-19. A comitiva é liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Integram o grupo os deputados federais Eduardo Bolsonaro e Hélio Lopes; o secretário-executivo das Comunicações, Fábio Wajngarten; o assessor especial para assuntos internacionais da presidência, Filipe Martins; o Embaixador Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega; Hélio Angotti Neto; Marcelo Marcos Morales; Max Guilherme Machado de Moura  e Secretário Pedro Paranhos.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, também deve haver visita ao Instituto Weizmann, que tem 65 linhas de pesquisa sobre o Covid-19 - como o desenvolvimento de vacinas e o uso de um remédio já existente no tratamento da doença. 

O spray está em ensaio clínico para verificar sua eficácia em pacientes infectados pelo novo coronavírus em estado moderado e grave

Neste domingo (7), Ernesto Araújo participou de encontro com o chanceler israelense, Gabi Ashkenazi. A delegação chegou a Israel no sábado (6) e deve retonar ao Brasil na quarta-feira (10).

Uso de máscaras

Diferentemente das imagens feitas ainda em solo brasileiro, em que todos estavam sem máscaras, em Israel o grupo teve que usar a proteção e adotar medidas de distanciamento social.

No evento de domingo (7), Ernesto chegou a ser alertado pela chancelaria israelense para que pusesse a proteção, ao ser chamado para posar para uma foto com  Gabi Ashkenazi. Ele respondeu: "Oh, yes" e a colocou.

Os representantes do governo brasileiro também foram orientados a adotar o distanciamento social de duas cadeiras no auditório onde ocorreu a cerimônia de boas-vindas.

O uso de máscaras é obrigatório em prédios públicos em Israel, incluindo em encontros fechados e para fotografias. O ministério israelense chegou a preparar máscaras especiais com as bandeiras do Brasil e de Israel.

Durante a visita, a comitiva também não pode circular pelo país e está restrita a um hotel e aos compromissos oficiais. Os protocolos de segurança sanitária foram estabelecidos pelo governo israelense, que empreende o mais avançado programa de vacinação no mundo para conter a disseminação do coronavírus.

O grupo está em Israel no pior momento da pandemia de Covid-19 no Brasil, com números recordes de mortes pela doença, falta de leitos e baixa taxa de vacinação. O presidente Jair Bolsonaro defendeu a visita para ir em busca de um spray nasal que usaria contra a doença, mas que não tem comprovada a eficácia. O próprio presidente afirma não saber o que é e diz que "parece um produto milagroso".

Combate à Covid-19

Após a reunião, a reportagem perguntou a Ernesto se o Brasil pode se inspirar na maneira como Israel tem enfrentado a crise do coronavírus. O país decretou três lockdowns no último ano, mantém a obrigatoriedade de uso de máscaras em todos os locais públicos e privados e é o mais avançado do mundo na campanha de vacinação.

"No Brasil, existe essa circunstância que, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, basicamente cada estado adota suas próprias medidas. Não há uma possibilidade de uma orientação federal", respondeu o ministro.

O chanceler também disse que, assim como Israel, "o Brasil também está em um esforço de vacinação, está progredindo". "Israel é um dos países que estão mais na frente no mundo, mas o Brasil não está atrás de outros grandes países, como os europeus, que estão mais ou menos na mesma faixa em termos de proporção de população vacinada."

O Brasil aplicou, em média, 49,8 doses em cada 1.000 habitantes, enquanto Israel é o líder mundial, com 998,8 inoculações em cada 1.000 pessoas. Há vários países europeus acima das 100 doses em cada 1.000 pessoas, segundo dados do Our World in Data.

Na reunião entre os dois ministros do exterior, que durou cerca de uma hora, Brasil e Israel assinaram acordos de cooperação em áreas tecnológicas. O chanceler israelense elogiou a posição do governo Bolsonaro em prol de Israel em fóruns internacionais, mas não deixou de demonstrar a preocupação com o Brasil neste momento da pandemia.

"Em nome do povo de Israel, gostaria de expressar minha solidariedade ao povo brasileiro. Tenho certeza de que vocês prevalecerão. Posso prometer a você que Israel fará tudo o que puder para apoiar seus esforços para vencer a Covid. Estamos prontos para ajudar no que for possível. Exploraremos oportunidades de investimento conjunto em pesquisa para desenvolvimento de medicamentos ou outras soluções possíveis para o vírus."

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