Casal fantasiado de 'nega maluca' em festa de igreja evangélica gera revolta

O caso aconteceu em Petrópolis, no sábado (24)

Casal em festa fantasiado de 'nega maluca'
Legenda: Fantasia de "nega maluca" de um casal causou indignação em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, no último sábado (24)
Foto: Reprodução

A fantasia de "nega maluca" de um casal causou indignação em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, no último sábado (24). A dupla publicou fotos nas redes sociais com rostos pintados de tinta preta e perucas de cabelo afro. A vestimenta foi usada em uma festa da Igreja Batista Atitude.  As informações são do jornal O Globo

O ato foi considerado racista por movimentos negros, por apontar para a prática conhecida como "blackface", que consiste na ação de se fantasiar de negro para entretenimento dos brancos, geralmente com estereótipos.

Após viralização das imagens e repercussão negativa, a publicação foi apagada e a conta foi colocada em modo privado. O caso gerou revolta nas redes sociais. "Ser negro virou algo engraçado?", questionou uma moradora de Petrópolis, no Facebook. Outra internauta classificou a prática como "inadmissível" e afirmou que o racismo está sendo "compactuado".

Notícia-crime

Uma notícia-crime foi apresentada nesta segunda-feira (25) junto ao Ministério Público, pelo presidente da Comissão de Educação, Assistência Social e Defesa dos Direitos Humanos da Câmara de Petrópolis, vereador Yuri Moura (PSOL). O objetivo é apurar se houve crime de racismo.

Segundo o parlamentar, ao se fantasiar e divulgar o ato em suas redes sociais, o casal "consumou a ofensa ao tipo penal, independentemente de outro resultado naturalístico".

"O conceito de racismo recreativo designa uma política cultural que utiliza o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais. O humor racista opera como um mecanismo cultural que propaga o racismo, mas que ao mesmo tempo permite que pessoas brancas possam manter uma imagem positiva de si mesmas. Elas conseguem então propagar a ideia de que o racismo não tem relevância social. Não se pode olvidar que o humor é uma forma de discurso que expressa valores sociais presentes em uma dada sociedade", diz o documento.

Movimentos cobram medidas

O Segmento de Culturas Afro-Brasileiras, Quilombolas e de Matrizes Africanas de Petrópolis repudiou o ato e cobrou medidas por parte das autoridades.

"Importante frisar que o corpo negro não é entretenimento e muito menos uma fantasia para alegrar festas. Práticas como esta são enquadradas no Racismo Recreativo, uma forma de desumanizar a população negra, utilizando de forma depreciativa tal atitude. Solicitamos que as autoridades locais tomem as medidas cabíveis", diz o texto.

A Igreja Batista Atitude disse, em nota, que as pessoas envolvidas "não tinham conhecimento do que é 'blackface', portanto, fizeram suas fantasias sem a intenção de serem racistas". Ainda segundo o comunicado, como igreja, a agremiação religiosa não admite qualquer tipo de discriminação.

 

 

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