Anvisa aprova uso emergencial de novo tratamento para Covid-19

Os medicamentos não poderão ser adquiridos em farmácias. A autorização é destinada somente ao uso por hospitais

Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula (azul) infectada com partículas do vírus SARS-CoV-2 (rosa), isolada de uma amostra de paciente. Imagem capturada no Centro de Pesquisa Integrada (IRF) do NIAID em Fort Detrick, Maryland
Legenda: A medicação é a terceira aprovada pela agência regulatória brasileira para tratar a doença causada pelo novo coronavírus
Foto: NIAID

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quinta-feira (13), o uso de mais dois medicamentos no tratamento de paciente com Covid-19. Os anticorpos monoclonais banlanivimabe e etesevimabe receberam autorização temporária para atender às demandas da pandemia. 

Os medicamentos não poderão ser adquiridos em farmácias. A autorização é destinada somente ao uso por hospitais, detalhou a agência. A incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá da avaliação do Ministério da Saúde. 

Segundo a Anvisa, a eficácia dos remédios foi atestada por um estudo clínico que apontou uma redução de 70% nos índices de hospitalização relacionada à Covid-19 e de óbitos por qualquer causa.  

A organização orienta que as unidades de saúde administrem os dois anticorpos juntos, em dose única, no tratamento das formas leve a moderada da doença. A combinação pode ser usada em adultos e crianças com 12 anos ou mais e que pesem, pelo menos, 40 quilos. 

"Banlanivimabe e etesevimabe devem ser administrados em ambiente hospitalar por infusão intravenosa, o que significa que não é uma aplicação em seringa, mas similar às soroterapias. A infusão deve ser feita dentro de três dias do teste viral positivo e até dez dias após o início dos sintomas", instruiu a Anvisa no comunicado.
 

A agência ainda ressaltou que a associação medicamentosa não deve ser usada em pacientes que já estejam hospitalizados por causa do novo coronavírus ou que necessitem de oxigênio ou ventilação mecânica em seus tratamentos. 

Como agem os medicamentos

Banlanivimabe e etesevimabe são anticorpos monoclonais, ou seja, substâncias produzidas em laboratório que, injetadas no organismo, atuam como todos os outros anticorpos presentes no corpo humano, identificando e neutralizando agentes invasores nocivos à saúde.  

Efeitos colaterais

A Anvisa informou que, por ser um medicamento aprovado em uso emergencial, a segurança e a eficácia dos anticorpos continuarão a ser avaliadas por estudos em andamento. Os possíveis efeitos adversos incluem reação alérgica, febre, calafrios e coceira.  

Como foram observadas reações graves na administração de banlanivimabe, com ou sem etesevimabe, a agência reguladora brasileira instruiu a farmacêutica Eli Lilly, produtora dos medicamentos no país, incluir na bula a seguinte observação: “Monitore clinicamente os pacientes durante a administração e observe os pacientes por pelo menos uma hora após a conclusão da infusão”.

Tratamentos para Covid-19 aprovados pela Anvisa

A combinação de banlanivimabe e etesevimabe é o terceiro medicamento aprovado pela Anvisa para uso emergencial para o combate ao novo coronavírus no Brasil. Em abril, outra associação de anticorpos monoclonais, casirivimabe e imdevimabe, foram autorizados pela agência.

As indicações para o uso dos anticorpos são praticamente as mesmas, segundo a organização. A diferença entre eles é que o banlanivimabe e o etesevimabe não demonstraram capacidade de neutralizar a variante brasileira do novo coronavírus, que hoje é a cepa que prevalece no País. 

Além das duas combinações, a Anvisa aprovou, em março, o uso do antiviral Rendesivir, um remédio injetável produzido no formato de pó para diluição. 

Portanto, as associações de anticorpos monoclonais casirivimabe + imdevimabe e banlanivimabe + etesevimabe formam, com o Rendesevir, o trio de medicamentos com indicação aprovada para o tratamento da Covid-19 no Brasil.

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