Angela Merkel afirma que Covid-19 na Alemanha 'será pior do que tudo que vimos até agora'

Chanceler alemã defendeu medidas mais rígidas para conter avanço do coronavírus no país

Angela Merkel, chanceler da Alemanha, colocando máscara azul sobre o rosto
Legenda: Chanceler defendeu restrições mais rígidas contra pessoas não vacinadas
Foto: Michael Kappeler/Pool/AFP

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que a situação da Covid-19 no país "será pior que tudo o que vimos até agora". A declaração se deu nesta segunda-feira (22), em meio à evolução e aos recordes diários de casos da doença. 

O atual contexto do país foi discutido, conforme uma fonte, durante encontro de dirigentes do partido dela, a União Democrata Cristã (CDU). No evento, a chanceler afirmou que as restrições em vigor na Alemanha "não são suficientes diante da situação dramática" causa pelo surto de casos de Covid-19.

Em razão disso, Merkel defendeu restrições mais rígidas para conter o avanço do coronavírus em solo alemão, dado que a situação é "altamente dramática".

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, Merkel apontou ainda que, caso não haja medidas mais rígidas contra a enfermidade, os hospitais do país ficarão, em breve, sobrecarregados de pessoas com a doença.

Cidadãos não entendem situação

A chanceler afirmou que muitos cidadãos do país ainda parecem não ter entendido a gravidade do crescimento de casos no país, ponderando que apenas a vacinação não é suficiente para impedir a ampliação da doença.

No encontro, ela solicitou aos 16 estados alemães — que possuem autonomia para impor medidas de combate à doença — para definirem políticas mais severas contra o coronavírus. Isso deve acontecer ainda nesta semana.

Mesmo com variadas tentativas, a Alemanha  não conseguiu ampliar a taxa de vacinados para mais de 68% da população. Segundo a AFP, a inclusão de restrições mais duras contra não vacinados foi decidida entre ela e o seu sucessor no cargo, Olaf Scholz, na semana passada.

Já a taxa de incidência de casos da Covid-19 em sete dias no país subiu, nesse domingo (21), para o ponto mais alto desde o início da pandemia pelo 14º dia seguido, com 372,7 no país. Nesta segunda, ainda conforme a AFP, a taxa chegou a 386,5, um novo recorde.

Em algumas localidades, hospitais já estão com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) lotadas. "Atualmente temos uma quarta onda, temos uma situação muito, muito difícil em muitos hospitais na Alemanha", lamentou Spahn.

Ao todo, 5,35 milhões de casos do coronavírus foram notificados desde fevereiro de 2020, no começo da pandemia. O país já tem 99.062 mortes devido à doença.

Aumento nas mortes

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, declarou, nesta segunda, que pessoas não imunizadas contra a Covid-19 devem contrair o vírus nos próximos meses. Dessa fatia, parte morrerá por causa da enfermidade.

Em entrevista coletiva, ele declarou que "quase todo mundo na Alemanha provavelmente estará vacinado, recuperado ou morto" no fim do inverno europeu. Algumas pessoas, segundo o ministro, podem ver a declaração como exagero.

"A imunidade [da população] será alcançada [...] A questão é se é por vacinação ou infecção, e recomendamos empaticamente o caminho por meio da vacinação", advertiu.

Vacinação obrigatória em debate

Em razão do aumento de casos e da baixa cobertura vacinal, a possibilidade de a imunização obrigatória contra Covid-19 ser instituída está no centro do debate entre políticos alemães. 

Vários membros do partido da chanceler Angela Merkel, de caráter conservador, disseram, nesse domingo, que os governos federal e estaduais deveriam introduzir a vacinação obrigatória em breve. Isso porque outros esforços adotados para ampliar a taxa de vacinados falharam.

O líder da ala jovem do partido de Merkel, Tilman Kuban, defendeu que o país chegou a um ponto em que não somente uma vacinação obrigatória é necessária. Conforme escreveu no jornal alemão Die Welt, ele também defendeu lockdown para os não vacinados

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