Como o Banco do Nordeste foi parar no centro de um turbilhão político

Análise: Centrão esquenta briga pelo poder ao pedir abertamente a saída de Romildo Rolim

Legenda: Sucessão do Banco do Nordeste está na mira de políticos
Foto: Kid Júnior

O vídeo em que o presidente do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, demanda a demissão de toda a diretoria do Banco do Nordeste (BNB) joga holofotes sobre um impasse que, até então, estava limitado aos bastidores.

Com o centrão pedindo cabeças, a novela política sobre a sucessão do banco chegou à temperatura mais elevada desde o início.

Condenado e preso no esquema do Mensalão, Costa Neto continua sendo um cacique influente em Brasília. Tem trânsito direto com o presidente Bolsonaro e, pelo que se viu no vídeo, quer manter e até expandir o poderio sobre a fatia que detém de cargos no banco.

Foi a sigla dele, inclusive, que indicou o próprio presidente do BNB, Romildo Rolim, como o político deixou evidente na publicação feita ontem (27) nas redes sociais. Outros partidos do centrão também possuem poder de indicação no BNB.

O vídeo, portanto, põe ainda mais pressão na articulação para o controle de uma cobiçada máquina de investimentos com capacidade de R$ 40 bilhões por ano e fundamental para o desenvolvimento econômico do Nordeste.

Com base no que preconiza a lei das estatais, o tempo de Romildo Rolim à frente da instituição financeira deveria ter se encerrado em agosto.

Articulações políticas

As costuras para a troca se intensificaram, com três favoritos para assumir a concorrida cadeira: Anderson Possa (Diretor de Negócios), Hailton Fortes (Diretor Financeiro e de Crédito) e Andrade Costa (Chefe de Gabinete da Presidência).

Romildo Rolim
Legenda: Romildo Rolim assumiu a presidência do banco em 2017
Foto: Fabiane de Paula

Chancelado por um dispositivo previsto no estatuto do banco, Rolim manteve-se ao longo do mês de setembro. O documento prevê que a diretoria permaneça no exercício das funções "até que haja novas nomeações e/ou reconduções de mandatos".

Fontes afirmam à Coluna que Rolim, na presidência desde 2017 e funcionário de carreira do banco desde os anos 1980, vem tentando mais uma recondução. Em 2020, ele fora alvo de outra turbulência política, quando fora substituído de forma relâmpago por Alexandre Borges Cabral, indicado pelo centrão para a vaga.

Cabral, no entanto, foi exonerado em menos de 24 horas, após ser apontado como investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e Rolim acabara voltando ao cargo pouco tempo depois.

Em linhas gerais, a gestão de Romildo Rolim é bem avaliada, inclusive pelo setor produtivo, tendo obtido resultados significativos.

O vídeo de Costa Neto, contudo, pode frustrar a empreitada de recondução de uma vez por todas.

O que é o Inec e por que o assunto gera polêmica?

O cerne desse nó político é o Inec (Instituto Nordeste Cidadania), entidade parceira do BNB desde 2003 na operacionalização de programas de microcrédito, com contrato de centenas de milhões de reais.

Até o momento, não há indícios de irregularidades na relação entre as duas partes.

Conforme fontes, o problema é que o Inec tem um forte DNA petista, o que teria deixado Bolsonaro e auxiliares enfurecidos. A presidente do conselho de administração do Inec é Zilana Melo Ribeiro, filiada ao PT.

Internamente, o clima no banco é de incerteza e tensão pelos corredores.

Esse imbróglio já se alongou muito além do razoável e faz-se urgente que o Governo Federal encontre solução definitiva para garantir que o BNB possa atuar com tranquilidade nas políticas de fomento para os estados da região.

 



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