Paulo Guedes volta a defender taxação de lucros e dividendos com alíquota de 15%

Segundo o ministro da Economia, projeto foi travado no Congresso Nacional por interesses em manter benefícios, mas que serviria para ajudar a criar medidas para desonerar empresas

Legenda: "O imposto de renda, só no Brasil e na Estônia que é zero, ou seja, não existe imposto sobre lucros e dividendos no Brasil para pessoa física", disse Guedes (centro)
Foto: Fabiane de Paula

O ministro Paulo Guedes voltou a defender a cobrança de impostos sobre lucros e dividendos no Brasil durante o seminário Economia Brasil, realizado nesta sexta-feira (18). Segundo o titular da Economia no Brasil, o plano seria criar uma alíquota de 15% sobre esse tipo de renda e usar os recursos na modelagem de projetos para desonerar as empresas. 

"O imposto de renda, só no Brasil e na Estônia que é zero, ou seja, não existe imposto sobre lucros e dividendos no Brasil para pessoa física. Então 60 mil brasileiros no ano passado deixaram de pagar sobre uma base R$ 300 bilhões, e não adianta o sujeito dizer que quer melhorar a situação do Brasil e não consegue se olhar no espelho", disse Guedes. 

Sistema de cobrança

Segundo o ministro, no entanto, alguns agentes no País têm travado o avanço desse projeto para criar benefícios próprios. Guedes ainda afirmou que o imposto de renda sobre lucros e dividendos deveria ser de 15%.

"A riqueza é um sinônimo de excelência, mas no Brasil há um desprezo porque as pessoas sabem que em vez de trabalhar, o cara foi em Brasília e conseguiram um benefício e se deram bem. Esses são os 'piratas privados', o  'burocrata corrupto' e outros, que bloquearam a cobrança do imposto de renda (sobre lucros e dividendos)", disse. 

"Nós estávamos pensando em fazer um imposto de 15%. E vocês sabem que o funcionário paga, às vezes até mais de 27%. E como que pode o empresário pagar zero? A não, mas a empresa já pagou. E isso está errado. A empresa tem de pagar menos imposto mesmo", completou o ministro.

Desonerar empresas 

O tributo, segundo Guedes, seria uma das medidas usadas pelo Ministério para reduzir a taxação sobre as empresas. 

"Enquanto você estiver fazendo melhoria, investimento, não taxa. Tirou o dinheiro da empresa para comprar um avião, gastar com a família, nós vamos taxar. A nossa ideia era taxar lucros e dividendos para desonerar as empresas", explicou.