Investimentos no exterior podem ter bons retornos em 2022; veja opções

Aplicações em BDRs, ETFs, e até mesmo em ouro, prata ou dólar, podem dar bons resultados se bem observados durante o próximo ano

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Legenda: Investimentos na Bolsa de Valores durante o período eleitoral demanda cautela, dizem analistas
Foto: Shutterstock

Com o Brasil vivendo um cenário de instabilidade política e econômica, os investidores podem ficar em dúvida sobre onde alocar o dinheiro sem gerar perdas muito grandes ou sem passar por uma montanha-russa de altos e baixos durante o próximo ano.

Mas para quem deseja fugir das incertezas que podem vir durante um ano eleitoral, como 2022, diversificar aplicações para mercados estrangeiros também pode ser uma boa opção, se utilizando de BDRs, ETFs e outros ativos. 

Segundo Daniel Demetrio, sócio-fundador da M7 investimentos, a busca por investimentos em mercados estrangeiros pode ser uma boa forma de elevar o nível de diversificação dos investimentos pessoais.

Para quem já traçou estratégias relacionadas às aplicações de renda fixa e renda variável, dar um passo em direção a outros mercados pode ajudar a criar uma variação "geográfica".

"Uma tese de investimento boa é a diversificação e é muito bom que ela ocorra geograficamente falando. Você tem acessos a produtos no exterior através de plataformas abertas e faz todo o sentido alocar recursos em economias estrangeiras, como os Estados Unidos e a China, principalmente em ano de eleições por conta do debate político, que deve levar para os extremos, então faz todo o sentido", explicou.

A opinião é corroborada por Bruno Alberto, sócio da Arêa Leão Consultoria Empresarial. Ele, no entanto, ponderou que é preciso fazer uma análise prévia da forma como se deseja acessar esses mercados, para saber qual a melhor opção para cada investidor, seja por corretoras nacionais ou até abrindo contas em instituições internacionais. 

"Os investimentos no exterior são uma boa opção para fugir das instabilidades que estamos vivendo, como a crise econômica e a situação política de ano eleitoral, então ter uma carteira com ativos de fora do país é importante para diversificação por conta do risco", disse Alberto. 

"As principais fontes de cuidado é por onde você vai investir. BDR é mais fácil, mas hoje temos opções de corretoras internacionais e corretoras aqui que operam no mercado de fora, mas também não é difícil abrir uma conta em uma corretora de outro país, então é preciso ver as condições de cada corretora e qual o perfil do investidor", completou. 

Opções em BDRs

Uma das opções de investimento apontadas pelos especialistas são os Brazilian Depositary Receipts ou BDRs, certificados de representação de ações de empresas estrangeiras negociadas no pregão da bolsa de valores brasileira (B3).  

Esses investimentos são interessantes para quem deseja investir em grandes empresas no exterior e pensam, mas não querem se preocupar em abrir uma conta em outro país, como os Estados Unidos. 

No entanto, é preciso ressaltar que os BDRs estão sujeitos à variação de valor de mercado, por serem negociados em bolsa, e pela variação cambial, por estarem atrelados ao dólar. Se o dólar cai, o investimento também pode perder valor. 

Mas os especialistas apontaram setores como tecnologia e saúde nos mercados estrangeiros como sendo boas opções para quem deseja entrar no mercado de BDRs. 

Confira uma lista de empresas listadas em BDR na B3 que podem dar bons resultados aos investidores segundo as previsões do mercado. A lista inclui empresas já consolidadas no mercado e algumas que vem apresentando bons níveis de pagamento de dividendo. 

Veja a lista:

  • Mobile Telesystems
  • Rio Tinto 
  • BHP Group
  • SK Telecom
  • Apartment Invstiment & Management
  • EcoPetrol
  • Amazon
  • Apple
  • Microsoft
  • Meta (ex-Facebook)
  • Nvidia
  • Pfizer
  • Moderna
  • BioNTEch

Opções em ETFs 

Já as Exchange Traded Fund, ou ETFs, são fundos de índices também negociados na B3 e servem para replicar o comportamento de índices ou bolsas internacionais, para quem deseja aplicar de forma mais generalizada em mercados internacionais. É possível investir em ETFs que representam o desempenho da Nasdaq, de Nova York, de cripto moedas, ou de índices específicos, como o SPY (S&P 500 ou Standard & Poor's 500 Index).

"BDRs e ETFs são boas opções porque eles diversificam o risco. Em vez de comprar empresa por empresa, você compra um ETF, que embute uma série de empresas. E o BDR é uma alternativa para quem não quer ter conta fora do País", disse Bruno Alberto.

"Os setores de tecnologia e saúde são os que têm vindo muito forte e isso tende a continuar, porque estamos vivendo em um mundo mais tecnológico e são setores interessantes. Saúde tem uma questão muito relacionada ao envelhecimento da população do mundo inteiro e é onde temos reajustes acima da inflação no mundo inteiro, então tem uma proteção aí que é justamente estar acima da inflação", completou.

Câmbio e outros ativos 

Além de BDRs e ETFs, os especialistas destacaram a possibilidade de se investir em ativos que são sempre buscados em momentos de instabilidades do mercado global, como ouro e prata.

"É importante ficar de olho em ouro e prata, que tendem a se estabilizar em cenário de instabilidade e inflação no mundo todo, que é o que podemos ver no próximo ano", destacou Bruno Alberto.

Sobre o dólar, ainda há certezas incertezas sobre as previsões em 2022. Contudo, a expectativa do mercado financeiro nacional é que de a moeda americana permaneça em um patamar elevado durante todo o próximo ano em relação ao real, considerando que o cenário político puxado pelas eleições presidenciais poderão gerar instabilidades. 

"É muito complicado prever o comportamento do dólar por conta das variações. O dólar tem estado na casa do R$ 5,7 e nada indica que ele vai cair. A expectativa é que ele vai se manter alto. Um dos fatores que pode reduzir a taxa de câmbio é a alta dos juros no Brasil, que pode atrair investimentos estrangeiros, mas teremos a questão dos ajustes das contas públicas, que pode amenizar a queda do dólar. Podemos ter picos de queda do dólar, mas o mercado não crê em dólar muito inferior ao temos hoje", disse Demetrio.