Fusão de empresas surge como opção durante a pandemia; Ceará já registra 11 em 2021

Segundo a PwC, no Estado, os dados foram puxados pelas empresas de tecnologia e saúde. Movimentações denotam um amadurecimento do mercado, de acordo com Leonardo Dell'Oso

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Foto: Divulgação

Com a economia brasileira ainda reagindo à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, a fusão e aquisição de empresas tem surgindo como uma opção de suporte para buscar crescimento no mercado em 2021.

Segundo dados da consultoria PwC Brasil, foram registradas 11 operações desse tipo no Ceará até setembro deste ano. Em 2020, o levantamento apontou 15 no total. 

Já em relação ao País, há um indício de aumento do número de fusões entre 2020 e 2021. Se ano passado foram registrados 1.038 fusões e aquisições, este ano, considerando o período entre janeiro e setembro, já apresentou um número maior: 1.183

Contudo, para Leonardo Dell'Oso, sócio da PwC Brasil, essa movimentação representa um amadurecimento do mercado brasileiro nos últimos anos, aliado à busca por soluções durante a pandemia.

Ele comentou que essas movimentações indicam uma disposição dos empresários de fazer novos investimentos e buscar uma continuidade do crescimento em relação aos anos anteriores. 

"Os países campeões mundiais de transações de M&A são países desenvolvidos e com economias fortes, como Estados Unidos da América, Inglaterra, Canadá, França, Alemanha, Japão, dentre outros, o que indica que números altos de transações de M&A estão associados a negócios e mercados desenvolvidos", disse.
 
"Obviamente que o crescimento do volume de transações de M&A em 2020 e 2021 no Brasil também decorre da pandemia da Covid-19, que forçou empresas e empresários a buscarem alterativas estratégicas de sobrevivência, de proteção e/ou de expansão para os seus negócios. Esses movimentos tendem a se manter ao longo dos próximos anos, já que os reflexos da pandemia ainda estão afetando as empresas e o mercado brasileiro", completou Dell'Oso.

O sócio da PwC ainda afirmou que número de fusões e aquisições no Brasil deverá aumentar até o fim de 2021, fazendo com que o Ceará tenha dados menos distantes em relação a 2020 e 2021. No entanto, não esperado que as operações deste ano superem as do ano passado em números no Estado. 

"A nossa expectativa é de que tenhamos números crescentes nos próximos anos. A despeito de fatores como crise hídrica, eleições presidenciais, aumento da inflação e dos juros, e temas ambientais, que podem ter algum reflexo sobre o mercado em 2022, acreditamos que ainda há muito espaço para crescimento do número", disse. 

Continuidade 

Dell'Oso ainda aponta outros aspectos da economia nacional para justificar as perspectivas de que o Brasil poderá registrar um número crescente de fusões e aquisições de empresas nos próximos anos. 

Veja a lista:

  1. Recorde do número de IPOs (abertura de capital de empresas na Bolsa de Valores), operação onde parte relevante dos recursos captados é destinado a movimentos estratégicos de crescimento inorgânico;
  2. Excesso de liquidez: fundos e bancos de investimentos estão captados e com recursos disponíveis para investimentos 
  3. Câmbio depreciado (dólar alto): Brasil se torna mais baratos aos investidores estrangeiros e aumenta as performances de empresas exportadoras 
  4. Alto custo de crédito torna as operações de M&A mais atrativas aos empresários (captação de recursos mais barata 
  5. Necessidade de transformação nos negócios para continuar a operar ou para sair da crise da pandemia mais fortalecidas 
  6. Perfil empreendedor do brasileiro, que a cada dia desenvolve mais ideias e negócios inovadores e cria as suas start-ups 
  7. Esperado processo de privatizações, que deve se intensificar no pós-pandemia 
  8. Leilão e implementação da tecnologia 5G, que deverá acelerar a automação em vários setores 

Mercado cearense 

Para o mercado cearense, a PwC ainda indica que as fusões foram dominadas pelos setores de saúde e tecnologia. Segundo a consultoria, 36% dessas transações foram no setor de saúde, enquanto 27% foram de tecnologia.

"O Ceará é um estado com vocações para negócios nos de saúde e tecnologia, que são os que estão puxando o crescimento do número de transações,  e possui uma indústria forte, que vem apresentando um crescimento robusto de sua economia em 2021. Além disso, a Região Nordeste é um dos principais estados em tamanho do mercado consumidor", disse. 

Leonardo também projetou que o Estado poderá registrar novas movimentações no futuro focados nos setores de turismo e de energias renováveis.

Com a situação da pandemia chegando ao fim, haveria mais espaço para desenvolvimento de negócios relacionados a viagens, enquanto que o Estado vem apresentando potenciais atrativos para aplicação de investimentos em energia solar ou eólica. 

Com o desenvolvimento desses mercados, e um número maior de negócios envolvidos, Dell'Oso projeta uma alta do número de fusões e aquisições, como representação de um novo amadurecimento das empresas.

"O posicionamento geográfico e o clima local são altamente atrativos para os negócios de turismo e de energias renováveis , que tendem a se consolidar fortemente nos próximos anos. Então, existem alta competitividade e atratividade do Estado do Ceará para investimentos via fusões & aquisições, de forma que é esperado um crescimento desses negócios nos próximos anos", afirmou.