Brasil não terá horário de verão nos próximos anos, diz ministro de Minas e Energia

Bento Albuquerque falou sobre a dependência da matriz hídrica no País, mas disse que "não há necessidade" de modelo diferenciado de horário

Legenda: Ministro concedeu entrevista exclusiva ao SVM
Foto: Fabiane de Paula

O Brasil não terá horário de verão nos próximos anos. A determinação do Governo Federal foi confirmada pelo ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, durante entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares nesta quarta-feira (6). A decisão, segundo ele, passa por uma análise constante e realizada ano após ano pela Pasta.

A iniciativa de não decretar o horário de verão, modelo utilizado para tentar reduzir o consumo de energia elétrica no País durante determinados momentos do ano, também teria a chancela do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Realizamos uma análise e do ponto de vista energético não é necessário. Foi tomada a decisão pelo presidente Bolsonaro e não vamos implantar o horário de verão. Nós analisamos a questão em 2020 e 2021 e não há necessidade, então o horário de verão não ocorrerá, assim como não vem ocorrendo desde 2019", disse o ministro.

Bento Albuquerque também destacou que a situação de preços mais altos para a energia elétrica no Brasil é reflexo da crise hídrica. 

Essa crise é decorrente da escassez hídrica pela qual o País vem passando. A nossa matriz elétrica é bastante diversificada, mas ainda tem uma dependência muito grande da fonte hidráulica. Hoje é cerca de 60%, mas essa proporção já foi maior”, disse. 

“Em 2001, a nossa dependência era de mais de 90% e daqui a alguns anos será de cerca 48%. Estamos vivendo essa situação, que é desafiadora, por conta da escassez. É a pior afluência dos últimos 90 anos”, completou.

Mudança de matriz

Para tentar reverter possíveis crise e minimizar os efeitos no futuro, o ministro Bento Albuquerque disse que o Governo Federal tem investido na constante atualização do planejamento sobre a questão energética. Além disso, o Brasil deverá ter uma mudança clara na matriz de geração, reduzindo a dependência das hídricas. 

“Estamos atualizando esse planejamento. Temos um plano de expansão de geração e transmissão de energia que é atualizado a cada ano. O planejamento é que vai resolver essa situação. Nossa matriz é muito diversificada, e teremos novas fontes de energia no futuro, como o hidrogênio, então essa diversificação que vai evitar que o país passe por situação como essa que estamos passando hoje”, comentou.