Dias de Luta e Vitórias

Neste Dia da Consciência Negra, temos muito trabalho a fazer, porém muita luta a comemorar e vitórias a festejar

Duas mulheres negras celebrando
Legenda: Comemoramos e marchamos pelas ruas do Brasil, contra o racismo de tipo brasileiro, uns dos mais sofisticados e eficientes do planeta
Foto: Shutterstock

Hoje estamos nas ruas de todo o País, protestando, alertando e pautando a sociedade brasileiras sobre os prejuízos e os riscos que o racismo traz para as nossas vidas, para a vida do País e para sua democracia, já que o mesmo impede que grande parte da população seja inserida numa agenda de direitos e oportunidades.

O racismo tem sido parte da vida brasileira, num país onde dos seus 521 anos, 388 foram vividos sob regime de escravidão de homens e mulheres devido à cor de sua pele e sua origem étnico racial. O que trouxe sequelas e fraturas sociais na formação do povo brasileiro.

Organizações como a Frente Nacional antirracista, rede que agrega centenas de organizações do movimento social negro, nas suas mais diversas áreas de atuação, trazem o debate racial para o eixo econômico e de desenvolvimento do País, numa perspectiva de que o tema não seja mais somente uma pauta nossa, mas de toda a sociedade, fazendo o tema transbordar para os setores públicos e privados.

As condições estão mais desafiadoras do que nunca, fome e alimentação precária na maioria da população, crise sanitária, degradação econômica e social e, mesmo assim, vemos emergir do caos homens e mulheres que levam a agenda do orgulho, da potência, autoestima e de um projeto de país inclusivo e democrático.

Mãos de dois jovens negros
Legenda: Façamos de nossa celebração, neste dia 20, uma marcha permanente
Foto: Camila Lima

Neste 20 de novembro, temos muito trabalho a fazer, porém muita luta a comemorar e vitórias a festejar, elevando nossa marcha para além das limitações que o racismo impõe para nos ver somente através da lente das tragédias e das dificuldades, dentro de uma espécie de cativeiro mental, onde só se é possível existir no debate público se for a partir do ângulo da carência e dos problemas, nunca da potência e soluções.

Sem deixar de lado nossas missões históricas, já que cada homem e mulher, descendentes dos que foram arrancados da mãe África, exercita diariamente uma militância para se manter vivo nesse país que ameaça direitos e fere nossa dignidade, hoje temos referências e horizonte que não tínhamos antes, resultado de uma luta incansável dos que vieram antes de nós, que inspiraram os que lutam agora e que fomentam os passos das gerações futuras.

Estamos construindo um mundo mais diverso, mais democrático, onde nossas crianças tenham referencias positivas, onde a representatividade, impacte estrategicamente nessa marcha de esperança por um Brasil mais negro, logo, mais diverso e inclusivo.

Comemoramos e marchamos pelas ruas do Brasil, contra o racismo de tipo brasileiro, uns dos mais sofisticados e eficientes do planeta, já que em nossas terras todos reconhecem que ele existe, mas ninguém assume que pratica.

De maneira estratégica, precisamos conectar todas as competências e contribuições de organizações e lideranças que atuam nas mais diversas áreas, construindo uma rede de potências e soma de diferenças, forjando esperanças e possibilidades de sonhar e ser feliz.

Façamos de nossa celebração, neste dia 20, uma marcha permanente, onde é vital celebrar um pacto narcísico de Negritude brasileira, com amor, garra e perseverança em dias melhores.

 



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