Sabe o que é Expossoma? Entenda como o ambiente impacta sua saúde
Esse conceito se torna ainda mais importante no cenário atual, marcado pelas mudanças climáticas.
Existe uma área de pesquisa que busca investigar como as exposições que cada indivíduo tem ao longo da sua vida impactam na sua saúde e como as doenças humanas podem ser moldadas pelo ambiente.
Nesse contexto, surge o termo expossoma, desenvolvido pelo pesquisador Christopher Paul Wild, em 2005, com o intuito de compreender melhor como as exposições às quais cada ser humano está submetido ao longo da vida, do nascimento à morte, influenciam a saúde e como esses fatores ocupacionais podem interferir em diferentes processos de adoecimento.
Ou seja, busca-se compreender como comportamentos, clima, natureza, componentes químicos e ambientes sociais impactam a saúde e a genética humana.
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O conceito foi mais desenvolvido ao longo dos anos e passou a ser dividido em três campos:
- fatores internos, que são aqueles próprios de cada indivíduo, como a genética e a fisiologia de cada organismo;
- fatores externos gerais, relacionados a questões sociais e econômicas;
- e fatores externos específicos, que englobam estilo de vida, alimentação, exposições ao meio ambiente, entre outros elementos.
Assim, o conceito de expossoma se estabelece como a junção de fatores não genéticos decorrentes das exposições acumuladas ao longo da vida e que influenciam o processo saúde-doença.
Esse conceito se torna ainda mais importante no cenário atual, marcado pelas mudanças climáticas, que têm intensificado períodos de estiagem ou de muita chuva, ondas de calor mais intensas, tempestades e ventanias com maior frequência em algumas regiões, além de problemas como a poluição e o desmatamento.
Somam-se a esse cenário as mudanças no estilo de vida, ocasionadas por rotinas cada vez mais intensas, que favorecem o consumo de alimentos mais rápidos de preparar, como os ultraprocessados, e de outros produtos ricos em gordura, que podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares.
A presença cada vez mais intensa das redes sociais e sua influência sobre o comportamento humano também fazem parte desse contexto, seja pelo aumento do tempo diante do celular e pela exposição a muitas informações simultaneamente, seja pela possível redução da prática de atividades físicas.
Todas essas diferentes exposições ao longo da vida acabam impactando a saúde humana de maneiras distintas.
Isso ajuda a explicar por que os fatores genéticos não são os únicos responsáveis por influenciar a saúde e por que indivíduos com o mesmo material genético podem desenvolver, ou não, diferentes doenças, além de apresentarem respostas distintas diante de determinadas exposições.
Na nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, publicada em 2025, o termo expossoma é citado, assim como os fatores que o compõem e que podem impactar o risco de desenvolver hipertensão arterial, como temperatura ambiental, poluição do ar e sonora, falta de áreas verdes e de locais para caminhar e praticar atividades físicas, estresse, entre outros.
Os comportamentos e a exposição ao ambiente são tão importantes que foi criada a categoria de “pré-hipertensão” (120-139 e/ou 80-89 mmHg), que corresponde à faixa que muitas pessoas popularmente chamam de “12 por 8”, para que indivíduos que se encontram nesses níveis pressóricos possam realizar mudanças no estilo de vida, como na alimentação e na prática de atividades físicas, com o objetivo de prevenir o desenvolvimento futuro de hipertensão arterial (pressão alta).
Também é importante destacar que populações em situações de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental podem estar mais expostas a fatores que influenciam negativamente a saúde, como estresse, locais muito quentes, poluição, exposição exacerbada ao sol, alimentação rica em ultraprocessados e baixa prática de atividade física, justamente em decorrência de fatores sociais e da falta de acesso a oportunidades de melhores condições de vida.
Por isso, é de grande importância ter cuidado com os fatores aos quais estamos expostos ao longo da vida e que podem influenciar negativamente a saúde, como o tabagismo, o alcoolismo, a alimentação rica em gorduras e ultraprocessados, a pouca prática de atividade física, entre outros estressores ambientais e sociais.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.