Ao anunciar Jade, ala governista na União Progressista inicia ofensiva para garantir apoio a Elmano
Nos próximos dias, o grupo deve anunciar novas adesões e filiações de olho na disputa interna.
A movimentação da vice-governadora Jade Romero, ao anunciar a saída do MDB com destino à Federação União Progressista, é um movimento estratégico da ala governista na federação para tentar mostrar força e fazer com que a União Progressista fique na base do governador Elmano para a eleição 2026. E, conforme apurou esta coluna, não vai parar por aí.
Ao colocar um nome do núcleo do governo dentro da futura federação, o grupo governista tenta mandar um recado para o comando nacional de que, ao lado do governo, aumentam as possibilidades de União Brasil e PP sairem mais fortes das urnas.
Movimento calculado
Além de Jade, que era uma carta na manga, o comando do grupo governista tem declarado que se confirmar a aliança, o bloco passa a ser considerado na montagem da chapa majoritária.
De imediato, a ala governista prepara outros movimento e novas adesões. Esta coluna apurou que está engatilhada a filiação de, pelo menos, mais um deputado federal à sigla, para ampliar o peso da ala dentro da federação. A estratégia é fortalecer o argumento de viabilidade eleitoral apresentado ao comando nacional.
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Disputa interna persiste
O cenário interno, no entanto, está longe de ser pacificado. No Ceará, a futura federação nasce rachada entre governistas e oposicionistas.
De um lado, nomes como Moses Rodrigues, Fernanda Pessoa e AJ Albuquerque defendem alinhamento com Elmano. Do outro, o grupo liderado por Capitão Wagner, presidente estadual do União Brasil, mantém posição de oposição ao governo petista.
A disputa pelo comando estadual é o ponto central dessa queda de braço. Moses Rodrigues afirma ter o compromisso dos presidentes nacionais, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, para assumir a presidência da federação no Ceará.
Capitão Wagner já havia anunciado no início do mês que a federação estaria confirmada no palanque de Ciro Gomes, portanto, na oposição.
Enquanto os dois grupos se movimentam, nada de posicionamento da direção nacional.
Peso eleitoral e barganha
Por trás da articulação, naturalmente, há um cálculo eleitoral. A ala governista trabalha com a meta de eleger entre quatro e cinco deputados federais e mais de seis estaduais em 2026. Esse potencial de bancada é a principal moeda de negociação apresentada ao núcleo do governo e às direções nacionais.
A perspectiva de ocupação de cargos relevantes, principalmente, os de deputado federal é a principal moeda nas nedociações entre direções nacionais partidárias e os grupos políticos locais.
Decisão nacional
Apesar da intensa articulação local, a palavra final ainda não foi dada. A oficialização da Federação União Progressista pelo TSE, prevista para a próxima quinta-feira (26), deve acelerar a definição sobre o comando nos estados, quando a novela do Ceará tende a se encerrar.
Até lá, o que se vê é uma corrida por espaço e influência.