NASA reativa propulsores da sonda Voyager após 20 anos inativos no espaço
Recentemente, em maio deste ano, NASA conseguiu reativar os propulsores da Voyager 1 que estavam inativos há 20 anos
Em 1977, a NASA lançou a primeira das duas sondas Voyager, um marco na exploração espacial. A Voyager 2 foi lançada em 20 de agosto de 1977, enquanto a Voyager 1 seguiu poucos dias depois, em 5 de setembro de 1977. Projetadas para viajar distâncias inimagináveis, essas sondas foram criadas para ir onde o ser humano não pode — seja pela vastidão do espaço ou pelos perigos envolvidos.
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Dois anos depois, em 1979, a Voyager 1 chegou ao sistema de Júpiter, que na época tinha apenas 14 luas conhecidas. Hoje, sabemos que esse número subiu para, pelo menos, 92. Naquela época, as imagens capturadas revelaram detalhes impressionantes do gigante gasoso, mudando nossa compreensão sobre esse planeta imenso e turbulento.
Mas um dos momentos mais marcantes da missão veio anos depois, quando Carl Sagan, renomado astrofísico e divulgador científico, sugeriu à equipe da NASA um pedido ousado: virar a câmera da sonda para a Terra. Após alguma resistência, a ideia foi aceita e, em 1990, a Voyager 1 registrou uma das imagens mais emblemáticas da astronomia.
Nosso planeta apareceu como um diminuto e solitário ponto perdido na vastidão do espaço, uma visão que ficou conhecida como o "Pálido Ponto Azul" — uma lembrança da nossa pequenez no universo e da necessidade de cuidarmos do nosso lar.
Em 17 de fevereiro de 1998, a Voyager 1 ultrapassou a Pioneer 10 e se tornou o objeto feito pelo homem mais distante no espaço. Desde então, ela continuou sua jornada e hoje está a cerca de 25 bilhões de quilômetros da Terra, enquanto a Voyager 2 está um pouco mais próxima, a aproximadamente 20 bilhões de quilômetros.
A bordo de cada uma das sondas Voyager há um disco de ouro contendo uma verdadeira cápsula do tempo da humanidade. Gravado no disco, há uma coleção de imagens selecionadas para representar a diversidade da vida e da cultura na Terra.
Entre essas imagens, há fotografias de paisagens naturais, seres humanos, representações matemáticas e científicas, além de saudações em múltiplas línguas. O objetivo desse registro é servir como uma introdução da humanidade para qualquer civilização extraterrestre que possa eventualmente encontrar as sondas.
Recentemente, em maio deste ano, um feito impressionante, a NASA conseguiu reativar os propulsores da Voyager 1, que estavam inativos há 20 anos, permitindo que a sonda continuasse ajustando sua trajetória. Mesmo após quase cinco décadas de missão, a Voyager segue viajando rumo ao desconhecido, enviando dados preciosos sobre os limites do nosso sistema solar e além.
As Voyager 1 e 2 são hoje os objetos mais distantes já construídos pela humanidade, verdadeiras testemunhas do nosso desejo de explorar e compreender o cosmos.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.