Carpini revela que avaliou deixar Fortaleza após saída de Marcelo Paz: ‘ninguém mais está aqui’
O técnico tricolor concedeu exclusiva para o ge
O Fortaleza Esporte Clube é o maior desafio da carreira de Thiago Carpini. A conclusão é do próprio treinador, seja pela importância da equipe, mas principalmente pelo contexto que encontrou na chegada ao Pici. Em entrevista exclusiva ao ge, o comandante revelou bastidores do atual momento e ponderou sobre as saídas: todo o departamento de futebol que o contratou não está mais presente.
“Imagina ser contratado por algumas pessoas, chegar em dezembro, ver um clube, voltar em janeiro e encontrar um novo clube? Realmente cheguei a pensar se esse era o projeto para mim. Nunca tive dúvida sobre o Fortaleza desde que fui procurado, eu queria que esse projeto tivesse acontecido antes, estivemos próximos antes, mas um dia antes do meu acerto, tinham situações encaminhadas, estava apalavrado com outro clube da Série A, mas entendi o desafio de viver um projeto com o Fortaleza, que foi o que o clube viveu nos últimos anos. Na quarta-feira, tinha encaminhado uma situação, mas na quinta, na conversa com o Paz, acertei (com o Fortaleza). Fui recebido pelo Marcelo Paz, Júlio Manso, Papellin, Daniel de Paula e Boeck. Ninguém mais está aqui. Eu recebi um elenco que poucos ainda estão aqui daquilo que a gente imaginava, mas em momento algum eu me queixei, deixei de trabalhar ou transferi a responsabilidade da minha carreira [..] Eu cheguei a cogitar (sair), a pensar, mas depois da oportunidade de conviver com tanta gente boa que está no clube, a gente começa a criar os vínculos com as pessoas, todo mundo sério, que sabem aonde querem chegar, e eu entendi que sou parte desse projeto, é aqui que eu vou ficar, e tentar ajudar de alguma maneira".
O período é extremamente desafiador. Para além das mudanças internas, que resultaram na chegada de Pedro Martins como CEO para substituir Marcelo Paz, que se transferiu para o Corinthians, Carpini também atravessou grande reformulação no elenco, com 17 saídas. Na maioria, nomes que eram titulares absolutos, como Eros Mancuso e Adam Bareiro, e faziam parte do projeto.
“Ainda não completei dois meses de clube, foram 17 saídas. Cheguei na semifinal sem um elenco completo e estreei sem zagueiro. Joguei o campeonato (Estadual) inteiro sem lateral e quando chegou extremo, perdi o centroavante. Não há mágica. E futebol não é dessa maneira, é construção. Queria hoje estar jogando melhor futebol, vamos chegar a esse nível, mas ainda não estamos. O espetáculo em campo, o torcedor precisa ter mais paciência. Tem muita coisa boa sendo construída”.
Assim, os desafios são superados aos poucos. Invicto na temporada, chegou na decisão contra o Ceará, com o jogo de ida marcado para o próximo domingo (1º), às 18h, na Arena Castelão. Já na Copa do Brasil, com atuação ruim, venceu por 4 a 3 e eliminou o Maguary-PE, avançando à 3ª fase.
“Tínhamos traçado um planejamento no início, para manter grande parte do elenco e não perder ninguém. Depois disso muita coisa mudou. Mexidas foram necessárias. Eu teria Bareiro, Moisés, Breno Lopes... São peças fundamentais, elevariam o nível para a Série B, mas infelizmente não aconteceu. A gente procura não lamentar e tenta valorizar os jogadores que aqui estão”, concluiu.