Ricardo Lemos, treinador da equipe sub-19 do basquete Juazeiro, recorda com exatidão os momentos anteriores à tragédia com o ônibus da equipe, que tombou em Tauá, no Ceará, e deixou sete pessoas mortas.
Em entrevista à equipe da TV Verdes Mares Cariri, ele afirma que tudo transcorria bem antes do acidente. "Foi a terceira vez que fomos. Em duas delas fomos campeões, e tudo foi feito como sempre fizemos, desde viajar à noite a ficar em alojamento.", revelou.
Segundo o professor, um dos responsáveis pelo treinamento do time de jovens e pelo planejamento da participação em torneios, a agenda de retorno da equipe para Juazeiro do Norte chegou a sofrer alterações após o fim da Copa Sobral, na cidade em que eles estavam. Entretanto, a programação intensa em viagens como aquela não era algo incomum.
"Acabaram acontecendo alguns atrasos. A gente iria retornar à tarde, no domingo, mas acabou que retornamos à noite. Porém, viajar à noite sempre foi uma rotina da gente aqui", continuou, também reforçando que tudo foi feito "da forma de sempre".
O acidente ocorreu na madrugada do dia 15 de junho, enquanto o ônibus da equipe que fazia o trajeto entre as duas cidades tombou em uma rodovia de Tauá. Seis atletas e um integrante da comissão técnica da equipe de basquete de Juazeiro do Norte morreram.
Resgate dos feridos no acidente
Logo após o tombamento, a causa da tragédia virou assunto diante da repercussão nacional do caso. O motorista que estava no comando do veículo teria dado diferentes versões, inclusive citando um problema na estrada, um desvio por conta de um animal e até mesmo apontando o detalhe de que teria cochilado ao volante.
"Ele chegou no local de onde saímos às 19h, e nós saímos às 22h, então o ônibus não andou naquele dia", opinou Ricardo Lemos. "Então, ele provavelmente estava descansado. Se foi uma falha mecânica, um animal ou se ele cochilou, isso aí vai caber à polícia apurar", ressaltou.
Mas o momento do tombamento, em meio a todos esses detalhes difíceis de citar, deve permanecer por muito tempo na cabeça de Ricardo. A primeira ação após sair do ônibus, ele conta, foi buscar a ajuda de outros passageiros para ajudar os feridos.
A busca por saber quem necessitava de atendimento foi a mais difícil, mas quem também ajudou foi outro jovem, o atleta Saul Barbosa. "Tivemos a responsabilidade de lidar com os atletas, separamos os meninos para ir ajudando e, quando vimos os mais machucados, eu fiquei muito preocupado. Foi muito desesperador, muito triste mesmo", disse o jogador na entrevista à TV Verdes Mares Cariri.
Em coro, os dois fazem homenagem aos colegas de esporte que se foram na tragédia. "Eu vou estar representando eles em todo lugar onde eu for. A partir de agora, todas as minhas vitórias vão ser para eles", garantiu o jovem.
Acidente em Tauá
O grave acidente envolvendo o ônibus mobilizou equipes de resgate na madrugada do dia 15 de junho, na rodovia CE-187, nas proximidades do distrito de Santa Teresa, no município de Tauá, no Sertão dos Inhamuns.
Foram confirmados sete óbitos. Segundo a Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc), a delegação retornava da Copa Sobral quando aconteceu o acidente.
Das 41 pessoas envolvidas no acidente de ônibus, 7 morreram no local, 21 deram entrada no Hospital e 10 deram entrada na Upa.
Quem são as sete vítimas do acidente na CE-187?
No Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte, receberam as últimas homenagens os jovens:
- Henrique Ferreira Bezerra, de 17 anos
- Cauã Rodrigues Fratta, de 17 anos
- Luiz José de Morais Neto, de 19 anos
- João Paulo Sampaio de Alencar, de 18 anos
- Jonatan Samuel dos Santos Lopes, 15 anos
- Assistente técnico Marcos Miguel da Silva, 22 anos
O corpo de Matheus Henrique Ferreira Martins, 15, foi velado separadamente no Centro de Velório Anjo da Guarda.