Pai de mulher que matou onça-parda no Piauí diz que animal atacava rebanho da família
"Nós tínhamos um rebanho grande aqui. Hoje eu não tenho 20 cabeças de bode", relatou o homem, em entrevista
O pai da mulher que viralizou ao aparecer em um vídeo matando uma onça-parda a tiros, no interior do Piauí, afirmou que o animal atacava seu rebanho. Tanto ele quanto a filha foram multados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em R$ 45 mil.
A declaração foi dada ao programa "Fantástico", da TV Globo, que, acompanhado por fiscais do Ibama, visitou a propriedade onde ocorreu o crime ambiental.
Declarações da família
Durante a visita ao sítio, Manoel, agricultor e pai da mulher que aparece no vídeo, contou que o rebanho vinha sofrendo ataques do felino. "Nós tínhamos um rebanho grande aqui. Hoje eu não tenho 20 cabeças de bode", relatou Manoel.
Manoel e a esposa, Rosa Maria, disseram estar arrependidos e não imaginavam que a morte do animal teria tamanha repercussão. Eles alegam desconhecerem a ilegalidade da prática. A família teve a espingarda confiscada e também responderá por maus-tratos aos cães que participaram do ataque.
Manoel também afirmou não ter condições financeiras para arcar com a multa. "Sustento quatro pessoas em casa e nosso único recurso é o nosso salário", disse ele.
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Como aconteceu?
O episódio aconteceu em 16 de dezembro, e a responsável pelos disparos foi identificada como Eula Pereira da Silva, de 37 anos. Moradora do Rio de Janeiro, ela cometeu o ato enquanto passava férias em Alto Longá, no Piauí, onde vivem os pais. Eula aprendeu a manusear armas ainda na infância.
No vídeo, ela aparece ao lado do pai, Manoel Pereira da Silva, e da irmã, que registrou toda a cena.
A onça estava no alto de uma árvore no momento do ataque e, conforme os fiscais do Ibama, não representava ameaça à família.
"A tendência era que ela se evadisse, que ela fosse embora. Ela tem medo dos humanos, ela não atacaria os humanos", disse Adelques Monteiro, chefe da fiscalização ambiental do Ibama, ao programa.
Monteiro destaca que tanto caçadores quanto aqueles que alegam ter matado um animal silvestre por autoproteção incorrem no mesmo crime. No entanto, segundo ele, não há registros recentes de ataques de onças a humanos ou rebanhos.
A onça-parda, o segundo maior felino do Brasil, está ameaçada de extinção, e a caça de animais silvestres é proibida por lei.
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