Polícia investiga falsos nudes de estudantes criados por inteligência artificial no Rio de janeiro

Dois alunos confessaram terem manipulado fotos usando um aplicativo, segundo reportagem do Fantástico

Escrito por Redação ,
Vítima falou sobre o compartilhamento de fotos em aplicativo de mensagens
Legenda: Vítima falou sobre o compartilhamento de fotos em aplicativo de mensagens
Foto: Reprodução/Instagram

Estudantes de uma escola no Rio de Janeiro estão sendo investigados por falsificar e compartilhar nudes de colegas. Segundo matéria do Fantástico, exibida nesse domingo (5), cerca de 30 meninas tiveram fotos alteradas em sites e aplicativos. O episódio aconteceu no Colégio Santo Agostinho, instituição de classe média alta. 

O caso é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

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Na reportagem, uma mãe explicou como as imagens eram criadas: “Eles tinham pego fotos das meninas dentro da rede social delas. Umas de biquíni, outras de vestido. Eles pegaram essas fotos, entraram no aplicativo, que é super simples de entrar, não é deepweb como estão falando, não, é um aplicativo muito simples. E tiraram a roupa das meninas, deixaram elas nuas".

Uma das meninas estava no meio da aula de história e recebeu uma foto dela por um amigo, como forma de alerta. O professor, então, falou: "você não pode usar o celular". Ela: "professor, mas é muito sério". E ele simplesmente falou: "mas você não vai resolver isso agora”, destacou uma mãe.

Alunos assumiram autoria de fakes

Dois alunos confessaram terem manipulado as fotos usando um aplicativo de inteligência artificial. As imagens foram distribuídas em um grupo de conversa. As vítimas estudam na mesma escola dos meninos e em mais três escolas — todas no mesmo bairro, segundo relatou uma mãe.

"Ela disse: 'Mãe, meninos de outra escola pegaram uma foto minha, usaram inteligência artificial e transformaram a minha foto, fizeram da minha foto de roupa vestida num nudes. O que eu faço agora?' O meu primeiro impulso foi procurar a escola onde foi o foco da situação. Eu não fui bem recebida nessa escola. Eu escutei de um coordenador: 'Ah, mas seja o que for, é só uma foto-montagem'. Eu saí de lá indignada", detalhou a mãe.

Ao Fantástico, o Colégio Santo Agostinho declarou que contratou uma psicóloga para acompanhar as vítimas e as famílias. Em nota, a escola afirma que está tomando todas as medidas necessárias à apuração cautelosa dos fatos e que está adotando as medidas administrativas e educacionais aplicáveis.

Investigações

Marcus Vinícius Braga, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, considerou o tipo de crime como novo. "Nós vamos ouvir as vítimas, ouvir as testemunhas e nós vamos investigar esse caso a fundo. Porque esse tipo de delitom que é novo, ele simplesmente, ele não vai se exaurir agora, ele vai ficar para a vida inteira”, declarou o delegado.

A manipulação e a distribuição de imagens sem consentimento são crimes previstos pelo Código Penal. O artigo 216-B do Código Penal, penaliza qualquer pessoa que produza, fotografe, filme ou registre "por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes": A pena é de seis meses a um ano, e multa, e vale também para "quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.”

 

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