Henry Borel teve crise de choro na escola três dias antes de babá alertar mãe de agressões

A informação foi descoberta em mensagens recuperadas do celular de Monique Medeiros

Henry Borel
Legenda: Os laudos de necropsia atestam que Henry sofreu hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente
Foto: reprodução

Mais uma troca de mensagens foi recuperada pela Polícia Civil no celular da mãe de Henry Borel, a professora Monique Medeiros. Na conversa, do dia 9 de fevereiro, ela conta à psicóloga que fazia o acompanhamento terapêutico do menino que teve de ir buscá-lo no colégio, onde estava matriculado há uma semana, porque ele "chorou tanto". As informações foram divulgadas pela ÉPOCA nesta terça-feira (13). 

Monique segue relatando à terapeuta que para fazer o garoto se acalmar, combinou com Henry que ele só iria para a casa dos avós maternos, em Bangu, no Rio de Janeiro, quando “fosse para a escola”, “obedecesse” e “parasse de chorar”. Em resposta à professora, a psicóloga escreve: "muito bom esse seu posicionamento".

Na troca de mensagens, Monique enviou à profissional seis fotos de desenhos feitos por Henry na pré-escola. Em uma das imagens, em que a atividade era traçar a família, o menino representa ele e a mãe.

Desenho feito por Henry Borel da família. No rascunho ele representa ele e a mãe, Monique Medeiros
Legenda: Menino representa ele e a mãe na atividade
Foto: Reprodução

Em outro desenho, Henry rabiscou o que seriam suas casas, tendo a professora indicado ao lado das figuras: “casinha do Henry e da mamãe” e “casinha de Bangu”.

Desenho feito por Henry Borel sobre sua casa
Legenda: O desenho fazia parte de uma exercício da instituição educacional
Foto: reprodução

Três dias após a troca de mensagens com a psicóloga, no dia 12 de fevereiro, Monique foi alertada pela babá, Thayna de Oliveira, sobre as agressões sofridas pelo filho. Nas mensagens, a funcionária narrou que Jairinho havia se trancado no quarto com Henry e logo depois o menino relatou “chutes” e “bandas” dados pelo padrasto. 

No dia seguinte, 13 de fevereiro, Monique procurou uma unidade hospitalar e relatou aos profissionais da saúde que o menino estava com dores, pois tinha “caído da cama” — o mesmo argumento usado por ela ao dar entrada com o menino já morto no dia 8 de março.

Depoimento da psicóloga 

Em declaração prestada na 16ª DP, na Barra da Tijuca, a terapeuta disse que foi procurada por Monique, no início de fevereiro, porque Henry “não queria ficar” no apartamento que em que ela dividia com o namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, no condomínio Majestic, no Cidade Jardim.

Na delegacia, a psicóloga contou ter feito cinco consultas com a criança, que demonstrava afeto pelos avós maternos e que pronunciou o nome de Jairinho somente no último encontro. 

A profissional disse ter identificado que o espaço da casa dos avós maternos, onde Henry já morou e frequentava, era agradável. Ela chegou a mencionar que Monique reclamara que o menino não queria ir ao Marista São José, onde frequentou 20 dias de aula.

A mulher disse ainda que Henry contou morar “um tio” em sua casa. Perguntado quem era, o menino respondeu: “Tio Jairinho”, sem deixar demonstrar medo do padrasto. Logo em seguida, ele disse estar com saudades do pai.

Prisão

Monique Medeiros e Dr. Jairinho, acusados de matar o menino Henry Borel
Legenda: Defesa da dupla alegou constrangimento ilegal e "prisão desnecessária" ao pedir o habeas corpus
Foto: Reprodução/TV Globo

O vereador carioca Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Dr. Jairinho, e a mãe de Henry Borel, a professora Monique Medeiros, foram detidos no dia 8 de abril por policiais da 16ª DP, da Barra da Tijuca, após a juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da Capital, expedir mandados de prisão temporária por 30 dias. 

Os investigadores afirmam que Henry foi assassinado com emprego de tortura e sem chance de defesa. O inquérito aponta que a criança chegou à casa da mãe por volta de 19h20 de 7 de março, um domingo, após passar o fim de semana com o pai. 

Conforme o depoimento prestado pelo pai de Henry na delegacia, a mãe da criança teria ligado para ele por volta das 4h30 de 8 de março e comunicado o incidente. Segundo Leniel, Monique teria dito que encontrou o filho com os olhos revirados e com dificuldade de respirar e o teria levado ao hospital. 

Henry foi levado ao hospital pela mãe e pelo padrasto Dr. Jairinho. O menino chegou na unidade de saúde sem vida, com hemorragia interna, laceração hepática, contusões e edemas

Ao analisar imagens do elevador, os peritos responsáveis pelo caso identificaram que ele já estava morto quando foi levado ao hospital. Diante disso, a Polícia Civil investiga se a mãe da criança, a professora Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador Dr. Jairinho (sem partido), demoraram 39 minutos para socorrê-lo. 

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