Só faltava o "saber sofrer" no futebol

Confira a coluna desta terça-feira (13) do comentarista Wilton Bezerra

Benevenuto divide bola com atacante do Corinthians
Legenda: Sistema defensivo do Fortaleza fez partida sólida contra o Corinthians
Foto: Thiago Gadelha / SVM

Rejeitar a bola, não propor o jogo, fechar os espaços entre as linhas de defesa, meio-campo e ataque. Aguardar, na sofreguidão, a oportunidade de chegar ao gol adversário.

Isso sempre foi característica de time pequeno.

Implico, mesmo, e discordo dessa história de “saber sofrer”no futebol brasileiro, ideia disseminada recentemente.

Quem foi que disse ter sido o mais popular esporte do Mundo fundado na dor e no sofrimento, em nosso país?

Conversa mole de quem ignora a alegria, o prazer de jogar e o gingado, que falam alto do nosso caráter.

O fundo musical do nosso futebol nunca nos fez sofrer com dor de cotovelo.

Pelo contrário. Não existe imagem mais bonita do que nossos estádios superfaturados, lotados, a cantar: “Que bonito é, as bandeiras tremulando, a torcida festejando, vendo a rede balançar”.

Sofrer jamais foi do nosso feitio.

Agora, querem jogar o futebol de tantos títulos pelo abismo, sem sequer se curvar para saber se ele morreu.

Vendem os artistas, impossibilitam o espetáculo e inventam fórmulas de jogo para segurar emprego de treinador, à base do “saber sofrer”, da covardia.

Distopia vendida como utopia.

Futebol brasileiro precisa readquirir o visgo, se livrar do charlatanismo “tático”, antes que seja tarde.

Time grande como o Corinthians, jogando como se pequeno fosse, é uma tragédia.

Foi o que se viu no confronto diante do Fortaleza.