Como é triste a Copa América

Confira coluna desta terça-feira (15) do comentarista Wilton Bezerra

Atletas de Brasil e Venezuela disputam a bola
Legenda: O Brasil venceu a Venezuela na estreia da Copa América de 2021
Foto: AFP

Se fosse uma competição musicada, a Copa América teria como trilha sonora todas as melodias tristes do mundo.

Com o seu moralismo, Nelson Rodrigues dizia sobre o maiô, quando essa peça do vestuário praiano era novidade: “A nudez que ninguém pediu. A nudez que não espanta ninguém”.

Assim, é essa disputa: “A competição que ninguém pediu. A Copa que não interessa a ninguém”.

Hoje, não temos mais esse Freud brasileiro para psicanalisar nossos dilemas.

Não me refiro nem ao período da pandemia como empecilho para a realização da velha competição Sul-americana.

Em primeiro lugar, há bastante tempo o futebol da América do Sul se destina apenas a ser fornecedor de pé de obra para o rico futebol europeu, figurando na segunda divisão do futebol do mundo.

Não há nenhum cenário animador que respalde o torneio.

Ademais, em se tratando de Seleção Brasileira, os seus resultados, mesmo que positivos, não trazem nenhuma situação conclusiva para o futuro.

Embora se saiba que, em caso de fracasso, o pescoço do Tite ficará um pouco separado do corpo, valendo pouco o aval do “grande” Coronel Nunes.

Infelizmente, nas paragens dos trópicos, quem dirige futebol só tem interesses políticos e financeiros.

“Pelo futebol tudo, para o futebol nada”, devia ser o lema oficial dessa gente.

Como dizia o mestre Armando Nogueira: “O calendário esportivo não é gregoriano nem cartesiano. Ele é cartoliano”.

Como é triste a Copa América.