Camilo Santana reage a queixas de petistas contrários à aliança com PDT: 'isso é cegueira política'

Após parlamentares e outros filiados reclamarem de falta de espaço do PT na gestão estadual, o governador criticou "picuinhas" no partido

Camilo Santana
Legenda: As declarações foram dadas por Camilo durante a entrega do novo Centro Integrado Multifuncional do Corpo de Bombeiros
Foto: Governo do Estado

O governador Camilo Santana (PT) reagiu, nesta sexta-feira (28), a queixas de outras lideranças do PT cearense que apontam falta de espaço dado ao partido no Governo do Ceará. Diante do argumento de petistas contrários à aliança com o PDT, o governador afirmou que "nunca" fez um Governo "que procurasse atender grupos ou alas partidárias" e disse lamentar que algumas figuras da legenda ajam movidas por "projetos individuais".

As declarações foram dadas em entrevista coletiva durante evento de inauguração do Centro Integrado Multifuncional do Corpo de Bombeiros, no bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza.

Camilo sustentou que, desde que assumiu o Palácio da Abolição, em 2015, procurou construir a gestão com "diálogo" e "respeito", "sempre focado numa das coisas que a base, que o PT sempre defendeu: justiça social e olhar para os que mais precisam". 

"O próprio ex-presidente Lula sempre defendeu isso: diálogo, a importância de ter as alianças e de construir consensos em defesa do desenvolvimento do nosso estado ou do nosso País", citou.

Encontro de opositores

Na última quinta-feira (27), conforme mostrou o Diário do Nordeste, os deputados federais José Airton Cirilo e Luizianne Lins e o deputado estadual Elmano de Freitas se reuniram com outros petistas para discutir, em uma plenária, a tese de uma candidatura própria do partido ao Governo do Estado neste ano.

José Airton, na ocasião, chegou a indicar que uma parte dos militantes do partido não se sente representada mesmo em postos do atual Governo do PT no Estado e teme que, em eventual gestão do PDT, a sigla petista perca ainda mais espaços.

O movimento faz frente à defesa da manutenção da aliança com o PDT, feita pelo governador e por outros parlamentares da legenda, como o deputado federal José Guimarães, o deputado estadual Acrísio Sena e outros correligionários.

Crítica à divisão

Entre os pedetistas, até mesmo o senador Cid Gomes já sinalizou apoio ao pacto eleitoral em âmbito estadual - apesar de, na disputa presidencial, parte da estratégia do irmão, Ciro Gomes, seja se distanciar cada vez mais do PT. Falas de Ciro no lançamento da pré-candidatura dele à Presidência da República, na última semana, inclusive, incomodaram lideranças do PT no Ceará.

Mesmo diante disso, Camilo criticou a divisão no próprio partido.

"Nunca fiz um Governo que procurasse atender grupos ou alas partidárias. Meu Governo sempre foi focado para atender as pessoas, lutar pela defesa da justiça social e dos direitos do cidadão e da cidadã cearenses. Repito: vamos continuar. Eu lamento algumas pessoas do partido que procuram não reconhecer a história e as ações que esse Governo tem feito, com picuinhas ou com projetos pessoais, individuais", rebateu.

Sem citar nomes, ele disse, ainda, que correligionários "precisam sair dessa bolha". "O que coloco é que, para que a gente possa defender a democracia, defender a justiça social, defender o respeito às pessoas, é preciso mudar o discurso. Não será com discurso de intolerância, de isolamento, não será com discurso de radicalismo. Isso é cegueira política. O que nós precisamos é construir consensos", argumentou. "Felizmente, a imensa maioria do partido não pensa e nem age dessa forma", completou. 

 



Assuntos Relacionados