Cid quer repetir acordo de 2018 entre PT e PDT no Ceará: "cada um faz a campanha do seu presidente"

Senador quer manter aliança com o PT no Ceará

Cid Gomes, Camilo Santana, Lula e Ciro Gomes
Legenda: O senador Cid Gomes defende a continuidade da aliança entre PT e PDT no Ceará
Foto: Instituto Lula

O senador Cid Gomes (PDT) defendeu a manutenção da aliança entre PDT e PT no Ceará para as eleições de outubro deste ano e mostrou caminhos para que o desejo se concretize. 

Cid, que é um dos principais articuladores da base aliada no Estado, quer que cada grupo faça a campanha do seu candidato a presidente, desde que estejam juntos em âmbito local.

A declaração foi dada à jornalista Flávia Rabelo, durante lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) à presidência da República, nesta sexta-feira (21), em Brasília.

A "solução" ao impasse local apontada por Cid é simplesmente a repetição do quadro político-eleitoral de 2018.

A prioridade pra gente é a aliança com o PT, mesmo a despeito de a nível nacional os dois partidos terem candidaturas próprias, mas eu acredito, o Camilo acredita, diria que a grande maioria do PT defende isso, que cada um faz a campanha do seu presidente. Eu faço a campanha do Ciro, o Guimarães faz a do Lula e a gente toca a nossa campanha conjunta lá no Ceará
Cid Gomes (PDT)
Senador

O governador Camilo Santana (PT) tem defendido a manutenção da aliança com o PDT a nível local, assim como diversos setores do PT, principalmente o ligado ao deputado federal José Guimarães.

Há correntes petistas, no entanto, que trabalham internamente pela candidatura própria. Os deputados federais José Airton Cirilo e Luizianne Lins têm dialogado com a instância nacional do partido com esse objetivo.

Airton, que foi candidato a governador em 2002, ameaça, inclusive, aplicar recurso à instância nacional caso o debate interno da candidatura própria não seja respeitado.

Ele rebate a fala de Cid: "Em nome de quê o PT abriria mão do protagonismo de encabeçar o processo de sucessão do Camilo no Ceará? Porque o PT tem candidato a presidente".

Ainda de acordo com o petista, o cenário político atual não é o mesmo da década passada quando a aliança foi construída. 

Nós entendemos que no passado o PT abriu mão (da candidatura a governador) porque havia razões fundamentadas não só com a crise que o PT vivenciava na época do Mensalão, mas também porque a Luizianne era prefeita de Fortaleza e havia uma força política considerável em governar a Capital. Hoje nós não temos nem a prefeitura da Capital muito menos o senador José Pimentel, e de repente o PT abrir mão até de disputar o governo do Estado é algo muito inusitado
José Airton (PT)
Deputado federal

Conversas dos parlamentares com o ex-senador Eunício Oliveira (MDB), desafeto de Cid e Ciro, têm sido feitas com o objetivo de assegurar um palanque para o ex-presidente Lula desvinculado ao grupo dos Ferreira Gomes.

Na semana passada, o governador ganhou ainda mais força no partido ao convidar prefeitos de outras legendas para se filiar ao PT. A articulação foi feita em acordo com Guimarães, que também é vice-presidente nacional da sigla.

2018

A declaração de Cid remete ao acordo que ocorreu no Ceará em 2018. Na época, Camilo, que concorria à reeleição pelo PT, participou de atos públicos em favor de Fernando Haddad, então candidato petista à presidência, e subiu no palanque de Ciro no primeiro turno.

Petistas acreditam que o governador, que deverá deixar o cargo para disputar a única vaga do Senado, vai pedir votos para Lula ainda no primeiro turno. Interlocutores de Camilo, no entanto, apostam que ele vai manter a imparcialidade em respeito ao Ciro.

Alianças

Cid Gomes, que não descartou se licenciar do mandato para entrar de cabeça na campanha presidencial do irmão, detalhou alguns movimentos que têm feito no Ceará para garantir siglas em torno da candidatura presidencial do PDT.

Cid citou acordo com partidos aliados em âmbito local e que não estão definidos nacionalmente. Como o PSD que ainda ensaia candidatura própria, mas que conversa com lideranças do centrão e com o ex-presidente Lula.

O senador disse ainda que o grupo deverá ter o União Brasil, considerando inclusive uma "simpatia" pelo deputado federal Heitor Freire, hoje filiado ao PSL.

O parlamentar disse ainda que espera pelo PSB, que deve firmar aliança com o PT nacionalmente, e com o Progressistas, liderado pelo deputado federal AJ Albuquerque no Estado. Na oposição na eleição passada, o Republicanos também tem se aproximado do governo, segundo Cid.

Com colaboração da jornalista Flávia Rabelo, de Brasília



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