A pauta "corrupção" bate de vez à porta de Jair Bolsonaro

O presidente é investigado na Suprema Corte por suspeita de prevaricação

Legenda: O presidente Jair Bolsonaro é pressionado pelos últimos acontecimentos
Foto: Isac Nóbrega/PR

Eleito com o discurso moralizador da gestão pública, prometendo afastar o Palácio do Planalto da agenda da corrupção, o presidente Jair Bolsonaro tem a sua principal mensagem eleitoral ameaçada no terceiro ano de mandato, às vésperas da disputa de 2022.

O escândalo da negociação da vacina indiana Covaxin, debatido na CPI da Covid-19, no Senado Federal, acendeu alerta vermelho no Governo Federal nos últimos dias.

Nesta segunda-feira (5), reportagem do UOL aponta que Jair Bolsonaro, enquanto deputado federal, teria adotado o esquema das rachadinhas com funcionários no gabinete. O filho dele, senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), é investigado no Rio de Janeiro pelo mesmo esquema. O Planalto não se pronunciou sobre o assunto.

Apesar dos desgastes políticos acumulados desde 2019, com falta de articulação no Congresso Nacional para tocar os projetos, equívocos na agenda econômica, crises na saúde, educação e a falta de planejamento na gestão da pandemia, o bolsonarismo seguia firme quanto ao discurso "anticorrupção".

No entanto, na última sexta-feira (2), o Supremo Tribunal Federal autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente por prevaricação, que é quando o gestor público é informado de uma irregularidade na administração e não age para interrompê-la. O foco das suspeitas envolve a negociação da vacina Covaxin.

Legenda: Luís Miranda (DEM-DF) prestou depoimento à CPI da Covid-19
Foto: Pedro França/Agência Senado

O caso foi denunciado pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) na CPI da Covid-19. A Comissão Parlamentar de Inquérito em Brasília, inclusive, é uma dor de cabeça para o governo. 

Tensão

Somada às crises institucionais e a pressão do judiciário, pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta segunda-feira, expõe o desgaste dos atuais gestores do Planalto perante a opinião pública.

O índice de desaprovação do governo atingiu 62,5%. O percentual era de 51% em fevereiro deste ano. No primeiro levantamento do instituto, em fevereiro de 2019, a desaprovação era de 28%.

Além da recuperação da imagem na gestão da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro tem o desafio de provar à opinião pública que se mantém incorruptível.

A nova fase da investigação dos parlamentares na CPI da Covid-19 está focada justamente no tema corrupção.



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