Por que jogadores se aposentam cada vez mais tarde?

A ciência por trás da longevidade no futebol.

Escrito por
Ítalo Henrique producaodiario@svm.com.br
Legenda: Aos 41 anos, português Cristiano Ronaldo já afirmou publicamente que está perto de se retirar de competições.
Foto: Thomas Coex/AFP.

Durante o século 20, era muito comum que jogadores de futebol se aposentassem aos 30 e poucos anos, tendo em vista as lesões ocorridas ao longo da carreira, como a temida ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho, além de outros fatores, como o envelhecimento natural e a diminuição de algumas capacidades físicas e técnicas em campo.

No entanto, esse cenário tem mudado cada vez mais, principalmente com os avanços da medicina esportiva e da ciência como um todo no que diz respeito ao gerenciamento do envelhecimento dos atletas, ao tratamento das lesões sofridas em campo e à longevidade no esporte.

Exemplo disso são os jogadores Craig Gordon (Escócia), 43 anos; Cristiano Ronaldo (Portugal), 41 anos; e Guillermo Ochoa (México), 40 anos, que estão entre os atletas mais velhos da Copa do Mundo 2026.

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Há décadas, lesões como a do ligamento cruzado anterior do joelho, por exemplo, eram vistas com muita preocupação e podiam impactar diretamente o desempenho do atleta e a continuidade da sua carreira.

Hoje em dia, essa preocupação ainda existe, claro, porém é muito menor do que era décadas atrás, já que os protocolos de tratamento evoluíram consideravelmente no que diz respeito à precisão das cirurgias, às tecnologias utilizadas e ao próprio treinamento dos ortopedistas que realizam esse tipo de procedimento.

Além disso, a recuperação, que é um fator crucial para a melhora, conta com um acompanhamento fisioterapêutico mais abrangente e com tratamentos cada vez mais individualizados para cada atleta e para o seu tipo de lesão, permitindo uma reabilitação totalmente voltada para as suas necessidades específicas.

Alimentos para evitar lesões

Outro aspecto que também tem impactado diretamente o rendimento dos atletas é o acompanhamento nutricional, já que hoje é bem estabelecido na literatura científica o papel que uma boa alimentação desempenha tanto para atletas saudáveis quanto para aqueles que estão se recuperando de alguma lesão.

Atualmente, com o acompanhamento nutricional individualizado, que é uma prática bastante comum nos clubes, os atletas conseguem ter dietas desenvolvidas especificamente para o seu padrão de desempenho, com alimentos, fibras e vitaminas que exercem importante papel no ganho de massa muscular e, consequentemente, na prevenção de lesões.

Assim, com o acompanhamento adequado e direcionado às necessidades de cada jogador, é possível estabelecer dietas e estratégias de suplementação que atuem no combate a padrões pró-inflamatórios, melhorando a composição muscular tanto para a prevenção quanto para o auxílio na recuperação de lesões.

Desse modo, o acompanhamento realizado por uma equipe multidisciplinar de saúde, composta por médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais, como cientistas de dados, tem contribuído diretamente para a melhora do rendimento dos atletas e, consequentemente, para a sua longevidade em campo.

Outra área que também tem colaborado para a análise da saúde dos jogadores e de suas necessidades específicas é a Inteligência Artificial (IA). Com os dados obtidos pelo monitoramento dos atletas, é possível avaliar seus padrões de sono e descanso.

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Além disso, exames podem ser analisados, assim como a fadiga durante as partidas e os níveis de hidratação. A integração de todas essas informações permite, com o auxílio das tecnologias e dos cientistas de dados, compor um amplo banco de informações por meio do qual é possível acompanhar o estado geral de saúde dos atletas, bem como a recuperação daqueles que estão lesionados, possibilitando observar a evolução e as necessidades particulares de cada indivíduo.

Hoje se sabe que algumas capacidades tendem a diminuir com o avanço da idade, mas elas podem ser preservadas por mais tempo com o acompanhamento adequado; outras podem até mesmo ser aprimoradas.

Por isso, é muito provável que, com o passar dos anos e com os avanços da ciência e da tecnologia, seja cada vez mais comum ver jogadores com mais de 40 anos em atividade e competindo em grandes torneios, como a própria Copa do Mundo.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor. 

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