Por que o tempo parece passar mais rápido em alguns momentos da vida?
Entenda a ciência por trás da nostalgia que está dominando Millennials e a Geração Z.
Se você tem entre 20 e 35 anos, já deve ter sentido, em algum momento, aquele sentimento estranho de que o tempo está passando mais rápido e de que antes parecia correr mais devagar. Parece que ainda ontem você estava em casa assistindo a desenhos animados, acordando cedo em um dia chuvoso de fim de semana para assistir àquela animação de que tanto gostava enquanto tomava um achocolatado quentinho.
As memórias do ensino médio, as risadas em sala de aula, as conversas do intervalo, quem namorava com quem ou quem tinha ficado solteiro, os problemas que você tinha na época e como hoje todos eles parecem pequenos diante das cobranças da vida adulta. Mas, acima de tudo, a sensação mais forte continua sendo a de que o tempo está passando rápido demais, quase escorrendo por nossas mãos.
Mas o que será que a ciência tem a dizer sobre isso e sobre o sentimento de nostalgia que tem estado tão presente entre as gerações Millennial e Z, principalmente com a volta de tendências dos anos 1990 e 2000?
A primeira coisa que precisamos deixar clara é que o tempo não está acelerado. Ele continua tendo as mesmas 24 horas de sempre. O que mudou foi a percepção que temos da sua passagem e a forma como o nosso cérebro interpreta as situações que vivenciamos.
Diferentemente dos relógios, que medem o tempo cronológico em segundos, minutos e horas de forma objetiva, nossa mente interpreta a passagem do tempo a partir das experiências que vivemos e das informações que recebemos. Ou seja, trata-se de um fenômeno associado à nossa experiência subjetiva e às emoções que estamos sentindo em determinado momento.
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Nesse contexto, durante a infância e a juventude, passamos por diversos momentos inéditos em uma sequência constante de descobertas, seja na infância, com nossos primeiros aprendizados, as primeiras interações com a família, amigos, escola e outros ambientes sociais, seja na adolescência, com todas as transformações decorrentes da puberdade.
As mudanças físicas e emocionais vão desde o primeiro beijo e o primeiro amor até a primeira perda de um parente querido, o afastamento de amigos ou a aproximação de novas amizades. Tudo isso gera lembranças inéditas, e os dias são vividos com uma enorme intensidade emocional.
Em contrapartida, na vida adulta, esse cenário muda drasticamente. Passamos a viver dias marcados por rotinas mais rígidas, seja no trabalho, seja na faculdade. As experiências novas tornam-se menos frequentes do que na infância e na adolescência.
O ritmo frenético do cotidiano nos conduz por um ciclo contínuo de informações e tarefas, e assim vamos atravessando os dias de forma muito semelhante, até que cheguem um feriado prolongado, um aniversário, uma data comemorativa ou as férias. Dessa forma, o tempo parece mais curto e acelerado. Passamos a viver nos intervalos e, quando percebemos, o Carnaval já passou e o Natal já chegou.
Além disso, existem outras hipóteses que a ciência apresenta, em áreas que vão da psicologia cognitiva e social até a matemática. Uma das teorias mais conhecidas propõe que a nossa percepção da passagem do tempo esteja relacionada à proporção que cada período representa em relação à vida já vivida. Por exemplo, aos 10 anos, um ano corresponde a 10% de toda a sua existência. Aos 25 anos, representa apenas 4%, e aos 50 anos, cerca de 2%. Assim, embora essa teoria não explique completamente o fenômeno, ela ajuda a compreender, ao menos em parte, por que os anos parecem cada vez mais curtos à medida que envelhecemos.
Outro fator que potencializa essa sensação são as redes sociais e a quantidade de informações à qual somos expostos constantemente. A velocidade com que consumimos conteúdos e acessamos acontecimentos também pode contribuir para a impressão de que o tempo está passando mais rápido.
Nesse ambiente, outro sentimento ganha espaço: a nostalgia com o retorno de tendências dos anos 1990 e 2000 na moda, na música, no cinema e na vida social. Inúmeras são as trends com milhões de visualizações compartilhadas por jovens adultos, mostrando fotografias antigas da infância e da adolescência, festas temáticas daquela época, estilos musicais, roupas que estavam na moda, celulares utilizados, redes sociais e diversas outras experiências que despertam memórias de um período em que o tempo parecia passar mais devagar, a vida parecia mais tranquila e o futuro parecia mais distante.
Assim, não temos uma explicação única para esse sentimento. No entanto, todas essas hipóteses ajudam a compreender melhor a maneira como atravessamos as experiências da vida, as pessoas que conhecemos e as diferentes fases que compõem nossa trajetória: e como tudo isso constrói nossa percepção sobre o tempo e a nossa própria existência.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.