Cinco pontos para entender o peso e os impasses da União Progressista na sucessão estadual
Lideranças da base aliada e da oposição travam batalha que pode fortalecer ou implodir o colegiado
A formalização da Federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas (PP), mexeu com o tabuleiro político nacional, e seus reflexos no Ceará começaram a se intensificar. Com capital político e financeiro robusto, a federação surge como protagonista natural das eleições de 2026, mas enfrenta um problema: a ausência de coesão interna.
No Estado, onde o Progressistas é base do governo Elmano de Freitas (PT) e União Brasil está dividido entre oposição e situação, os efeitos da resolução nacional que exigem desligamento de filiados de cargos no governo Lula provocaram um princípio de racha, que já vinha se desenhando.
A seguir, esta Coluna apresenta cinco aspectos essenciais para compreender o peso e os impasses dessa federação no xadrez da sucessão estadual.
1. O peso nacional: dinheiro, tempo de TV e musculatura parlamentar
A Federação foi oficializada em agosto deste ano e se tornou, em números, a maior força política do País. Reunindo 109 deputados federais e 15 senadores, além de governadores e ampla fatia do fundo partidário e eleitoral, o grupo tem as condições estruturais para candidaturas majoritárias em 2026, inclusive ao Palácio do Planalto.
No entanto, tamanho não é sinônimo de unidade, e o Ceará é um espelho dessa contradição que terá de ser resolvida até o ano que vem.
2. Divergências locais e nacionais: a bomba-relógio da coesão
Desde antes da sua criação, a União Progressista convive com discursos antagônicos em nível nacional. Enquanto parte das lideranças prega apoio a Bolsonaro, outros querem candidatura própria ou independência e um terceiro grupo se posiciona favor do governo do PT.
A decisão da executiva nacional de ordenar o desligamento de cargos no governo Lula foi o estopim de uma crise já prevista para os estados, e encontrou no Ceará um cenário particularmente delicado.
A federação atua como um único partido por quatro anos, mas no Ceará as duas siglas que a compõem vivem realidades distintas. O PP, comandado pelo deputado federal AJ Albuquerque, é aliado declarado do governador Elmano.
Já o União Brasil, presidido pelo Capitão Wagner, liderou a oposição e quer fazer da federação o pilar de uma candidatura adversária ao atual governo. Mesmo assim, ainda tem divergências internas.
3. Disputa por poder: quem vai controlar a federação no Ceará?
Nos bastidores, o impasse gira em torno de quem comandará a federação no Estado. Capitão Wagner desponta como nome forte, com apoio da ala oposicionista e de parte do núcleo nacional do União Brasil. Ele sinalizou que, se assumir o posto, exigirá disciplina partidária e que todos os membros da federação apoiem o candidato ao Governo indicado pelo grupo.
Do outro lado, AJ Albuquerque e aliados, como os deputados Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, defendem uma postura de apoio ao governo Elmano.
A composição dessa maioria governamental no âmbito estadual ameaça os planos de Wagner, tornando a definição da presidência local uma batalha decisiva para o rumo da federação.
4. Cargos, alianças e o peso da estrutura no governo Elmano
A presença do PP na estrutura do governo Elmano não é simbólica. Zezinho Albuquerque, pai de AJ, comanda a Secretaria das Cidades, uma das maiores da gestão estadual.
Na Assembleia, os três deputados do PP atuam na base do governo. Além disso, o União Brasil também tem representantes em postos estratégicos, como o vereador Márcio Martins, na Prefeitura de Fortaleza, comandada por Evandro Leitão (PT).
Outro gesto de constituição da aliança foi a nomeação de Aline Albuquerque para a Arce, reforçando os vínculos do grupo político de Zezinho com o governo estadual. Essas peças tornam mais difícil qualquer tentativa de ruptura imediata com o grupo governamental, mesmo sob eventuais pressões da direção nacional.
5. Riscos para o governo e oportunidades para a oposição em 2026
A ordem nacional para romper com o governo Lula impõe um dilema à base de Elmano. Caso a federação no Ceará se alinhe oficialmente à oposição, o grupo governamental perderá uma das maiores vitrines partidárias em tempo de rádio, TV e recursos para a campanha.
Para a oposição, isso representaria um impulso significativo para construir uma candidatura competitiva.
A divergência de momento entre as duas siglas que formam a federação revela a encruzilhada em que se encontra: ela pode ser tanto o pilar de sustentação da candidatura governista quanto o principal motor de uma candidatura de oposição à Abolição.
Tudo vai depender das articulações nacionais. Não há dúvidas, porém que a definição da presidência estadual será um ponto decisivo.