União Progressista: a força e o caos da maior federação partidária do Brasil para 2026
Números resultantes da aliança entre União Brasil e Progressistas impressionam, mas a coesão política é um enigma
O lançamento da União Progressista, em Brasília, mostrou a grandiosidade de uma máquina partidária que impressiona pelos números. São 109 deputados federais, a bancada maior da Câmara; 15 senadores, também o maior grupo no Senado; uma fatia robusta do fundo eleitoral e do fundo partidário; além do maior número de governadores. Um superlativo atrás do outro que credencia a federação a ser peça central na sucessão de 2026, nacional e nos estados.
Junto com a força, porém, vem a fragilidade. A federação é formada por lideranças com visões distintas, muitas vezes antagônicas, unidas mais por conveniência do que por ideal.
No ato de lançamento, a diversidade de discursos deixou claro o dilema: de um lado, Davi Alcolumbre, presidente do Senado e articulador do União Brasil, afirmando que a federação “não é base nem oposição”; de outro, Ronaldo Caiado, governador de Goiás e pré-candidato a presidente, se posicionando como alternativa para “livrar o Brasil do PT”. Enquanto isso, setores ainda flertam e defendem Jair Bolsonaro. Um mosaico sem linha programática.
Esse cenário coloca a federação diante de um desafio: chegar a 2026 com uma posição clara. A pluralidade, que hoje parece uma virtude, pode virar dor de cabeça no momento em que for preciso decidir. A maior federação da história política brasileira já nasce com a sombra da divisão interna.
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Cenário semelhante no Ceará
No Estado, o reflexo é imediato. Os Progressistas integram a base do governador Elmano de Freitas (PT), ocupando espaços estratégicos no governo. Já o União Brasil se divide entre oposição, governo e independentes.
A disputa pelo comando da federação no Estado promete ser intensa. A grande máquina nacional terá aqui um laboratório de conflitos que reflete a confusão de Brasília.
No fim das contas, a União Progressista impressiona pela força e preocupa pelo caos. Seus números encantam, mas sua coesão política é um enigma.
A depender da capacidade de harmonizar interesses tão diversos, a federação poderá se consolidar como protagonista absoluta em 2026 ou se perder em brigas internas antes mesmo do campo eleitoral. No Ceará, assim como no Brasil, a nova gigante já começa a ser testada nos bastidores.