Aliados projetam lançamento da pré-candidatura de Ciro ao governo em maio
Ex-ministro articula uma chapa de oposição no Estado, mas não confirmou ser pré-candidato; além disso, tem convite para disputar o Planalto
É crescente a expectativa entre aliados de Ciro Gomes (PSDB) pelo lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Estado. O movimento ocorre a despeito do convite ao ex-ministro para que dispute o Planalto. A oficialização que chegou a ser ventilada para o início de maio, vai se estender até, pelo menos, o fim da primeira quinzena do mês, conforme o proprío Ciro declarou no fim de semana durante evento do PSDB, em São Paulo.
No campo da oposição no Ceará, o clima é de ansiedade. A expectativa se justifica, sobretudo, pela ausência de outros nomes com densidade política semelhante à de Ciro para enfrentar Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo Palácio da Abolição.
Isso não significa que o bloco oposicionista careça de lideranças com capacidade para uma candidatura majoritária. Há nomes colocados. No entanto, o contexto atual posiciona Ciro em um patamar distinto, especialmente pela possibilidade de agregar forças relevantes, como a federação União Progressista e o PL, legenda que abriga os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Aliados admitem que, caso o tucano opte por uma candidatura nacional, cresce a hipótese de o PL lançar um nome próprio no Ceará. A estratégia seria garantir palanque para Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, tentar viabilizar a eleição de ao menos um senador.
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Interpretação do gesto de Aécio
O convite para que Ciro dispute a Presidência da República, feito pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, é interpretado nos bastidores como um “balão de ensaio”. A leitura predominante é de que o movimento busca recolocar o partido no tabuleiro eleitoral nacional, tendo como primeiro passo a inclusão do nome de Ciro em pesquisas de opinião.
A legenda tenta estruturar uma candidatura de centro em um cenário ainda fortemente polarizado entre PT e PL. Até o momento, há pouca margem para o surgimento de uma alternativa competitiva fora dessa dualidade, que se mantém desde 2018.
Caminho mais provável
Nos bastidores, a avaliação predominante é de que o caminho mais provável, e politicamente mais racional, para Ciro Gomes é uma candidatura ao Governo do Ceará neste ano. O movimento abriria espaço para uma eventual nova tentativa ao Planalto em 2030, em um cenário hipotético sem a presença de Lula e Bolsonaro.
Essa leitura foi externada pelo ex-senador Tasso Jereissati, durante entrevista coletiva na última quinta-feira (23), em evento do Sinduscon. “É a vez de ser governador. Daqui a quatro anos, quem sabe”, afirmou, ao comentar a possibilidade de Ciro voltar à disputa presidencial.