A volta de Ciro: por que o Ceará virou teste decisivo na carreira do ex-presidenciável

Ao confirmar candidatura no Estado, Ciro terá um de dois desfechos antagônicos: vitória e fôlego político ou derrota e fim de carreira.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 21:59)
Legenda: Após duras derrotas em 2022 e 2024, Ciro volta ao cenário estadual como nome relevante
Foto: Thiago Gadelha

Em conversa por telefone, nesta segunda (11), Ciro Gomes comunicou o óbvio ao presidente nacional do PSDB, Aécio Neves: não disputará a Presidência da República. A decisão, que não surpreendeu a ninguém, encerra um período de especulações sobre o chamado ao Planalto e confirma o que o contexto da política cearense já desenhava: a disputa ao governo do Estado neste ano caminha para ser um teste de sobrevivência política para o veterano. 

Há dois desfechos antagônicos em teste na jornada de Ciro de volta às disputas estaduais: uma vitória dará fôlego político. Uma derrota dificilmente não sela o fim da sua carreira política. 

O retorno ao ponto de partida 

Desde a derrota nas urnas em 2022, quando obteve cerca de 3% dos votos no primeiro turno, Ciro acumulou reveses que fragilizaram sua posição no cenário nacional. Além do desempenho irrelevante nas urnas, o ex-presidenciável viu ruir o grupo político que construíra no Ceará. Nem a relação até então inabalável com o irmão Cid Gomes resistiu.  

Em 2024, escapou o último reduto relevante sob sua liderança: José Sarto, então filiado ao PDT, perdeu a reeleição em Fortaleza, ainda no primeiro turno.  

A tempestade perfeita somada a um cenário estadual com uma oposição esfacelada e dividida, entretanto, abriu espaço para que Ciro pudesse construir um projeto de voltar ao comando do Estado.  

A filiação ao PSDB, sigla pela qual governou o Ceará nos anos 90, foi uma tentativa de se reapresentar ao eleitorado como o gestor técnico que um dia foi e que, na narrativa que tenta construir desde meados do ano passado, faz falta ao estado diante dos problemas de segurança pública e economia enfrentados na atual gestão petista.

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A virada à direita 

Neste momento da pré-campanha, está claro que Ciro Gomes é um nome relevante no cenário eleitoral. Nenhum outro nome do campo teria as condições que ele tem. Há, entretanto, elementos desta volta mais complexos do que aparentam. 

 O PL, que abriga as lideranças alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, está praticamente certo no palanque estadual do tucano. Para um político que construiu sua trajetória como alternativa tanto ao PT quanto à direita bolsonarista, aceitar esse flanco é uma contradição que precisará ser explicada ao eleitorado. 

Os desfechos antagônicos 

O que está em jogo em 2026 para Ciro vai além de uma disputa pelo Palácio da Abolição. Na prática, é um teste decisivo sobre sua própria relevância política.  

Uma vitória no Ceará o mantém vivo como nome projetável para 2030. Uma derrota expressiva, após uma aliança que desafia sua própria base, pode representar o encerramento definitivo da carreira dele.