Adeus, Girlboss! O fim necessário de uma era de salto alto e burnout disfarçado de poder

Finalmente, a era “girl boss” está chegando ao fim. Sério mesmo, essa é a melhor notícia do ano (talvez).

Escrito por
Elaine Quinderé verso@svm.com.br
Legenda: Sophia Amoruso, fundadora da Nasty Gal, escreveu o livro #Girlboss que inspirou série da Netflix
Foto: Divulgação

Por muito tempo, ser uma “girl boss” era o auge da ambição feminina. Uma mulher vestida de blazers coloridos, falando grosso na reunião e posando em fotos de escritório com legenda tipo “ela acreditou que podia, então ela fez”.

O termo, criado com boas intenções para empoderar mulheres no mundo dos negócios, virou uma caricatura: a empresária que acorda às 5h, toma café com óleo de coco, trabalha 14 horas por dia e ainda sorri porque “ama o que faz”.

Esse termo também foi impulsionado ao estrelato por Sophia Amoruso, fundadora da Nasty Gal e que escreveu o livro #Girlboss. Ela virou símbolo de uma geração de mulheres que queriam dominar o mundo com salto alto e filtro vintage.

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Mas, como toda moda mal interpretada, a era “girl boss” começou a ruir. E quem trouxe essa pauta à tona com coragem e inteligência foi a Her Cicle, ao apontar o óbvio que ninguém queria dizer em voz alta: talvez a tal liberdade feminina não seja exatamente isso aí. Talvez apenas tenhamos trocado um chefe homem gritando por dentro por uma mulher exausta gritando por fora (e por dentro também).

A “girl boss” virou símbolo de uma armadilha sofisticada: um capitalismo envernizado de rosa, onde a opressão se disfarça de “autonomia”.

Trabalhe por conta, escale sua marca, venda seus próprios cursos sobre como vender seus próprios cursos — tudo isso com unhas impecáveis e agenda lotada de reuniões que não terminam em férias, só em mais metas. Liberdade? Discutível. Exaustão? Com certeza.

O discurso de que “você pode tudo” se tornou uma cobrança velada para que a mulher faça tudo: sozinha, sem errar, sem chorar, sem reclamar. E se falhar, a culpa é só dela, porque afinal, “ela acreditou que podia”. E aí é que está o golpe.

O fim dessa era não é o fim da ambição feminina, muito pelo contrário. É o início de uma nova fase, mais madura e crítica, onde nós estamos dizendo: quero empreender, sim, mas sem romantizar o caos e a exaustão. A força feminina continua, mas agora ela quer descanso, vínculos reais, saúde mental, prazer e propósito. Quer poder, mas não a qualquer custo e de qualquer jeito.

E se ontem o orgulho era dizer “sou uma girl boss”, talvez hoje o maior ato revolucionário seja afirmar: não quero liderar um império cansada. Quero viver bem.