Venezuela, EUA, Brasil, cocaína, crime organizado, tudo junto e misturado
O governo norte-americano, que sabe de tudo, sabe também que as instituições brasileiras foram invadidas pelas facções criminosas
Em plena Avenida Faria Lima, onde está sediado o comando do mercado financeiro brasileiro, o Crime Organizado (CO) opera há algum tempo, como descobriram antigas e recentes investigações da Polícia Federal. Por meio de fintechs e fundos de investimento, o CO lava o dinheiro de suas operações ilícitas, entre as quais a do tráfico de drogas.
A cocaína produzida na Colômbia e na Bolívia atravessa o Brasil sob a proteção das facções criminosas e chega ao porto de Santos (SP), onde, driblando toda a vigilância, é embarcada em navios com destino a portos europeus.
Não há, de acordo com informações da PF, exportação de droga do Brasil para os Estados Unidos (EUA), o que reduz a possibilidade de uma ação de força do governo norte-americano contra o governo brasileiro. Porém, onde há fumaça, há fogo.
O narcotráfico invadiu praticamente todos os países da América Latina, incluindo o Brasil, onde hoje – por meio de organizações como o Primeiro Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Guardiões do Estado (GDE), Família do Norte (FDN), Os Manos, com atuação no Sul do país, e o Bonde dos 40, com presença forte em estados do Nordeste – avançou a tal ponto que está presente, também, conforme as investigações policiais e reportagens jornalísticas, na vida pública nacional, com influência nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no níveis federal e estaduais. Nas Prefeituras e Câmaras Municipais de Vereadores isto, igualmente, acontece.
O mais recente escândalo financeiro – o do Banco Master, liquidado pelo Banco Central por claras práticas de fraudes, lesando pessoas físicas e jurídicas, cujos prejuízos ultrapassam R$ 12 bilhões – lincou essa instituição a fundos de investimentos operados por organizações criminosas, e isto ainda será esclarecido mais adiante pela PF e pelo Banco Central, quando tudo, de uma vez por todas, tiver sido apurado e esclarecido. Mas este parágrafo é só para reiterar a presença crescente do CO no cotidiano da vida social, política e econômica do Brasil e dos brasileiros.
Nas eleições de outubro deste ano, o CO deverá eleger mais representantes do que elegeu há dois anos, quando houve a escolha de prefeitos, é o que se comenta nos corredores dos legislativos. Os EUA, que sabem de tudo, sabem disto, também.
A maioria das fontes desta coluna, como soe acontecer no mês de janeiro de cada ano, está em férias no exterior. Mas duas delas, que são empresários da indústria, mesmo distantes daqui, manifestaram-se a respeito da questão belicosa que hoje separa os EUA e a Venezuela, e pode envolver o Brasil.
Na opinião de ambas as fontes, o governo venezuelano, presidido agora por Delcy Rodrigues, que é também ministra da Economia, negociará com Donald Trump a melhor maneira de receber as grandes empresas petrolíferas norte-americanas para explorar e vender o petróleo do país, cujas reservas são estimadas em 303 bilhões de barris. Ou seja, os mais de dois mil generais venezuelanos e sua presidente entregarão seus anéis a Trump com o objetivo de preservar os dedos no poder. É o estado da arte do pragmatismo.
Traduzindo: desse imbróglio todo, que pode estar perto ou não de uma solução, extrai-se a impressão de que Donald Trump, um homem de negócios, está de olho, exclusivamente, na butique petrolífera da Venezuela, cujo governo ditatorial e ilegítimo (perdeu a eleição de 2024 para a oposição como provaram as atas das urnas) poderá seguir vivendo, desde que transfira a exploração do seu petróleo para as gigantes americanas, e os sinais emitidos de Caracas são nesse sentido.
E o narcotráfico? E os barcos que saem da Venezuela levando drogas para os EUA? Continuarão sendo explodidos ou terão permissão para retomar, livremente, suas viagens?
“Se prevalecer mesmo o pragmatismo, tudo voltará ao normal”, comentaram os dois empresários cearenses, um falando da Flórida, no Sul dos EUA, outro diretamente de Milano, no Norte da Itália.
Hoje, a produção de petróleo da Venezuela é franciscana: apenas 900 mil barris/dia, ou menos. Para multiplicar por quatro essa produção, as petrolíferas dos EUA terão de fazer pesados investimentos, algo como US$ 20 bilhões, para remodelar a infraestrutura existente e construir uma nova.
Os dois industriais cearenses mandaram à coluna mensagens, cujo final, em outras palavras, é a seguinte:
“A ação dos EUA na Venezuela pode ter sido a senha que faltava para a China invadir e apossar-se da ilha de Taiwan; e para a Rússia concluir sua tarefa de apropriar-se não só da região Leste, mas de toda a geografia da Ucrânia. E o mundo passará a ter nova divisão política: a Ásia com a China, a Ucrânia com a Rússia e as Américas com os EUA.”
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