Banco Master: Instituições financeiras saem em defesa do Banco Central
Uma nota assinada por entidades que representam 757 instituições que operam no mercado financeiro brasileiro emprestam total apoio à Autoridade Monetária, que liquidou o Master
Houve surpresa hoje no mercado financeiro diante do que decidiu o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União, o TCU. Ele determinou, com a máxima urgência, uma inspeção no Banco Central sobre o caso do Banco Master, liquidado pela Autoridade Monetária no dia 18 de novembro passado, sob o argumento de que a instituição praticou operações fraudulentas que prejudicaram pessoas físicas e jurídicas.
Essas operações causaram prejuízos superiores a 12 bilhões de reais, segundo apuraram investigações da Polícia Federal. O ministro Jhonatan é o relator do caso no TCU.
No mercado financeiro, há o temor de que o TCU reverta a decisão do Banco Central, o que causaria negativa repercussão no Brasil e no exterior. A credibilidade da Autoridade Monetária seria seriamente abalada, o mercado sofreria graves consequências e estaria instalada a insegurança jurídica, que já é uma das causas do chamado Custo Brasil.
Mas ministros do TCU apressaram-se em revelar, sob anonimato, que dificilmente haverá a reversão do que o Banco Central decidiu, ou seja, a liquidação do Banco Master será mantifa. Porém, como o caso envolve gente graúda dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, como apuraram as investigações da Polícia Federal e revelaram informações divulgadas por colunistas dos grandes jornais nacionais, há outro temor: o de que o dono do Banco Master possa vir a fazer alguma delação premiada.
Diante da decisão tomada pelo ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, as entidades setoriais da indústria financeira e bancária, de meios de pagamento, bem como do mercado de capitais, que representam, em seu conjunto, um universo de 757 instituições financeiras, distribuíram uma nota na qual reiteram o seguinte:
“Depositam plena confiança nas decisões técnicas do Banco Central, nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização;
“É imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro;
“O Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.”
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