Hidrogênio verde e Data Centers, os desafios do Ceará

Neste ano de 2026, os grandes projetos de interesse da economia cearense deverão avançar, mas há problemas: a falta de Linhas de Transmissão é um deles

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 08:20)
Legenda: Geração de energia eólica e solar fotovoltaica abastecerão Data Centers que serão construídos no Complexo do Pcém
Foto: SVM
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Faz bom tempo que saíram da pauta jornalística os grandes projetos de plantas industriais destinadas à produção de hidrogênio verde no Complexo do Pecém, no Ceará, mas eles seguem no radar do governo do estado e, também, no da Federação das Indústrias (Fiec), para cujo presidente, Ricardo Cavalcante, o tema é algo irreversível que, porém, pode ter retardo por força das pesquisas que prosseguem no mundo todo em busca da inovação tecnológica necessária à redução dos custos de implantação dos empreendimentos. Produzir hidrogênio verde ainda é muito caro, aqui, na Europa e na China. 

“O hidrogênio verde vem aí, e o Ceará e sua infraestrutura industrial e portuária está pronta para produzi-lo", diz, com entusiasmo e pleno conhecimento, o presidente da Fiec. Ele sustenta sua imutável opinião no argumento de que a australiana Fortescue e a brasileira Casa dos Ventos, duas gigantes do setor, mantêm firmes os seus projetos, que absorverão investimentos superiores a US$ 10 bilhões, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. 

A produção do H2V no Pecém mantém-se como meta prioritária de todos os atores nela envolvidos: as empresas – e são mais de 20 que celebraram Memorandos de Entendimento nesse sentido, o governo estadual, a liderança do empresariado industrial e a elite acadêmica do Ceará, os quais aguardam o desenvolvimento das pesquisas que tornarão econômica e financeiramente viáveis esses projetos.  

Neste ano novo de 2026, o Ceara tem, ainda, outra prioridade tão importante quanto aquela na área da indústria, da tecnologia e da inovação: o início da construção de Data Centers no Pecém, que, como o sonho do H2V, tem pontos ainda obscuros e que precisam de mais esclarecimentos para o entendimento dos cearenses.  

Para a operação desses Data Centers, o fornecimento de energia renovável não será problema, uma vez que a Casa dos Ventos já o garantiu.  

Há, contudo, dois óbices: o primeiro é a carência de Linhas de Transmissão (LTs) capazes de transportar, das fontes geradoras na Bahia, no Piauí, no Ceará e no Rio Grande do Norte, essa energia gerada pela força dos ventos (eólica) e pelos raios do sol (solar fotovoltaica) em projetos da Casa dos Ventos. O outro óbice é o fornecimento de água, insumo também muito consumido por um Data Center. Já foi dito que o ministério de Minas e Energia garantirá, por meio de leilões, as necessárias LTs. Mas promessa de governo demora a ser cumprida, quando o é.  

Quanto à água, segue perdurando a última informação, segundo a qual será a Cagece que fornecerá esse insumo, oriundo de sua Estação de Tratamento de Esgotos localizada na Avenida Leste-Oeste, em Fortaleza, as quais serão reusadas pelos futuros Data Centers do Pecém. Há dúvidas sobre se o volume dessa água será suficiente para atender à demanda daqueles gigantescos equipamentos. 

Este 2026 será, também, um ano no qual dois outros grandes empreendimentos de alto interesse do Ceará e dos cearenses darão passos importantes para a sua conclusão: a Transnordestina, estrada de ferro vital para a economia do estado e de toda a região Nordeste, e a duplicação do IV Anel Viario de Fortaleza. 

Pelo que se vê, lê e ouve, a Ferrovia estará pronta até o fim de 2027, o próximo ano, se, evidentemente, não faltar dinheiro. A primeira viagem comercial do trem da Transnordestina foi realizada com êxito no último mês de dezembro: ela trouxe milho do Piauí para a primeira cliente da ferrovia, a Tijuca Alimentos. 

No caso do Anel Viário, a questão nem é a falta de recursos, que estão disponíveis. O problema é a incapacidade técnica e financeira das várias empresas que, tendo vencido a licitação, revelaram total incapacidade técnica e financeira para a execução das obras, e as abandonaram.  

O governador Elmano de Freitas, ele mesmo, pessoalmente, está buscando uma solução, para o que conta com o apoio de empresas e empresários cearenses do setor da construção pesada. É provável que os impasses sejam superados durante este mês de janeiro. Essa rodovia é importantíssima para o transporte de cargas que são embarcadas e desembarcadas nos portos do Pecém e Mucuripe. E mostrar as obras em execução será um ponto a favor da reeleição do governador, sem dúvida. 

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