Na Ceasa de Tianguá, produtores são esmagados por atravessadores

Os "pirangueiros", como são chamados os atravessadores, manipulam preços. Faec e Governo vão combatê-los. E mais: 1) Ceará tem tudo a ver com recorde da exportação de frutas; 2) Brasil já tem 1 milhão de autogeradores de energia solar

Legenda: Atravessadores manipulam os preços das frutas, legumes e verduras na Ceasa de Tianguá
Foto: Cid Barbosa

Atravessadores, que nada produzem, estão esmagando os produtores de frutas e hortaliças da Chapada da Ibiapaba, impondo-lhes, na Ceasa de Tianguá, preços que não cobrem seus custos de produção. Praticamente 100% desses produtores são de pequeno porte.

Com a corda no pescoço, eles pediram socorro à Federação da Agricultura do Ceará (Faec), cujo presidente, Amílcar Silveira, acompanhado do presidente da Ceasa-Ceara, José Leite, reuniu-se com eles ontem em Tianguá. O que os dois ouviram é de suma gravidade.

Os atravessadores – batizados pelos produtores de “pirangueiros” – manipulam tudo na Ibiapaba, a começar pelo fluxo de mercadorias que chegam à Ceasa de Tianguá. 

Os “pirangueiros” construíram mais de 100 galpões no entorno da Ceasa local e neles armazenam frutas e hortaliças comprados dos pequenos produtores e que são enviadas à Ceasa local de acordo com as necessidades da procura, subindo e reduzindo os preços a seu bel-prazer.

Na reunião de ontem, tomaram-se ontem algumas decisões, a primeira das quais tem a ver com o empoderamento dos produtores.
Segunda decisão: será construído mais um galpão para a exposição das frutas, verduras e legumes dos produtores – cuja área será de até 2 mil metros quadrados (já foi licitada a construção de um galpão só para os produtos orgânicos).

Terceira decisão: técnicos da Ceasa-Ceará, da Faec e da Secretaria Executiva do Agronegócio da Sedet (Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho) irão, na próxima semana, a Tianguá, para estabelecer uma regra de preço mínimo que não poderá ser menor do que o do custo de produção. 

Com esta medida, garantir-se-á a rentabilidade da atividade dos produtores (hoje, os “pirangueiros”, usando sua força, conseguem manipular os preços).

Durante a reunião, o presidente da Faec, Amílcar Silveira, informou que terá uma audiência com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a quem reivindicará, com o apoio da Sedet, a cessão do terreno da Ceasa de Tianguá, que pertence à Conab, para o Governo do Estado do Ceará. 

CEARÁ TEM A VER COM RECORDE DA EXPORTAÇÃO DE FRUTAS

Festa na fruticultura brasileira – a do Ceará bem no meio! As exportações de frutas do país, em 2021, passaram, pela primeira vez, da marca simbólica de US$ 1 bilhão – mais precisamente, US$ 1,06 bilhão.

Foram exportadas 1,2 milhão de toneladas de diferentes frutas, entre elas o melão, o mamão, a melancia, a uva e a manga produzidas no Nordeste. Isto representou 18% a mais do que o volume exportado pelo Brasil no ano anterior de 2020.

O Ceará exportou em frutas, em 2021, o equivalente a US$ 80,07 milhões, sem contar castanha de caju, cuja exportação alcançou US$ 90,2milhões, e suco de frutas, que bateu em US$ 21,3 milhões.

Os melões lideraram a pauta exportadora cearense no ano passado, alcançando US$ 57,3 milhões; em segundo lugar, as melancias, com US$ 10,4 milhões; em terceiro, as bananas, com exportações equivalentes a US$ 7,9 milhões; seguidas pelas mangas, com US$ 1,4 milhão – como informa a Sedet com base em números do Comex.

Grande parte desse êxito deve-se ao esforço desenvolvido pela Associação Brasileira das Empresas Produtoras Exportadores de Frutas (Abrafrutas), cujo idealizador foi Carlos Prado, fundador das empresas cearenses Itaueira Agropecuária e Ceará Máquinas Ahrícolas (Cemag), ao tempo em que era presidente da Comissão de Fruticultura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Insatisfeitos com a atuação do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), cujos dirigentes estavam mais interessados nas verbas para a realização de feiras internacionais, os fruticultores brasileiros decidiram em 2013 romper com a entidade e, ao mesmo tempo, criar uma associação de produtores exportadores, a que deram o nome de Abrafrutas.

Carlos Prado não só liderou o esforço pela fundação da Abrafrutas, mas também esteve à frente do movimento que indicou Luiz Roberto Barcelos para primeiro presidente da entidade. Ele foi eleito por aclamação. Barcelos é sócio e diretor da Agrícola Famosa, maior produtora e exportadora de melão do país e concorrente direta da Itaueira, de Prado.
 
“Luiz Roberto era, como é até hoje, um empresário comprometido com o desenvolvimento da fruticultura brasileira, e nossa indicação baseou-se nessa constatação. Como se viu, foi uma escolha muito feliz. A Abrufrutas, sob seu comando, deu vida nova aos fruticultores e à fruticultura brasileiros”, diz Carlos Prado.

Por sua vez, Barcelos – cuja gestão levou o Brasil a participar das maiores feiras mundiais de frutas e hortaliças, como a Fruit Logística, de Berlim, a maior de todas – trabalhou para eleger seu sucessor, o Pernambucano Guilherme Coelho, que tem ampliado, ainda mais, o raio de atuação da Abrafrutas, hoje uma entidade que tem ligação e influência diretas junto ao Ministério da Agricultura e junto às Frentes Parlamentares da Fruticultura e do Agronegócio.

Coelho disse nesta semana, pelas redes sociais, que a Abrafrutas tem a força e o prestígio de hoje graças ao pioneirismo de Carlos Prado e à correta gestão de Luiz Roberto Barcelos. Como se vê, o Ceará mantém o protagonismo na fruticultura brasileira. 

OPERADORA Oi AMPLIA FIBRA ÓTICA NO CEARÁ

Informa a operadora Oi: ela está ampliando seu serviço de internet via fibra ótica no Ceará. De acordo com o último relatório da Anatel, a empresa registrou um aumento de 17,9% no número de clientes em novembro de 2021, na comparação com novembro de 2020.
 
No período, a companhia registrou mais de 21 mil novos assinantes e chegou a mais de 235 mil de endereços (HPs, na sigla em inglês) prontos para receber o serviço Oi Fibra que leva a internet até a casa do cliente. 

No Ceará, a tecnologia está disponível nas cidades de Fortaleza e Juazeiro do Norte.

CRESCE EXPORTAÇÃO DO VINHO BRASILEIRO 

Você gosta de vinhos? Saiba, então, que 2021 fechou com um aumento de 83,25% nas exportações de vinhos brasileiros se comparado ao ano de 2020. 

Os 8,13 milhões de litros, equivalentes a 10,8 milhões de garrafas, que saíram do Brasil para o exterior no ano passado chegaram a 53 países, com destaque para o Paraguai, Haiti, Rússia, China e Estados Unidos. 

Se for somado o volume de vinho, de espumante e de suco de uva, o total ultrapassa os 12,4 milhões de litros, contra 6,5 milhões do ano passado. 

O desempenho dos espumantes foi mais tímido, mesmo assim positivo com alta de 21,36%. O maior crescimento percentual foi na categoria de suco de uva, com 144,59% de incremento, chegando a 3,3 milhões de litros.

FONTE SOLAR: BRASIL PASSA MARCA DE 1 MILHÃO  

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Brasil acaba de ultrapassar a marca de 1 milhão de unidades consumidoras com geração própria de energia a partir da fonte solar. A modalidade representa mais de 8,6 gigawatts de potência instalada operacional, equivalente a cerca de dois terços (2/3) da potência da usina de Itaipu, sendo responsável pela atração de mais de R$ 44,0 bilhões em novos investimentos ao País, agregando mais de 260 mil empregos acumulados desde 2012, espalhados pelas cinco regiões nacionais.

Embora tenha avançado nos últimos anos, o Brasil – detentor de um dos melhores recursos solares do planeta – continua atrasado no uso da geração própria de energia solar. Dos mais de 89 milhões de consumidores de eletricidade do País, apenas 1,1% já faz uso do sol para produzir energia limpa, renovável e competitiva. Segundo análise da ABSOLAR, a tecnologia fotovoltaica em telhados e pequenos terrenos deve ganhar um impulso importante neste e nos próximos anos.
 
Em número de unidades consumidoras que utilizam a geração própria de energia solar, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 76,6% do total. Em seguida, aparecem consumidores dos setores de comércio e serviços (13,4%), produtores rurais (7,6%), indústrias (2,1%), poder público (0,3%) e outros tipos, como serviços públicos (0,03%) e iluminação pública (0,01%).
 
A geração própria de energia solar já está presente em 5.446 municípios e em todos os estados brasileiros. Entre os cinco municípios líderes estão Cuiabá (MT), Brasília (DF), Uberlândia (MG), Teresina (PI) e Fortaleza (CE), respectivamente.