Festa no Agro, que cresce 25% e impulsiona o PIB do Ceará
Entusiasmados com a performance do setor no ano de 2024, agropecuaristas creditam esse crescimento à criatividade do cearense

Há festa na agropecuária cearense! Segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará, o Ipece, o agro cearense teve no ano passado de 2024 o crescimento espetacular de 25,16%, o que contribuiu – e põe contribuição nisso – para o incremento do PIB (Produto Interno Bruto) estadual, que, por sua vez, registrou o extraordinário avanço de 6,49%, quase o dobro do PIB nacional, que bateu nos 3,4%.
Até a liderança do setor surpreendeu-se com a revelação da pesquisa do Ipece. A esta coluna, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, disse que havia a boa expectativa de um robusto crescimento do agro em 2024, mas “esse percentual acima de 25% veio além do que esperávamos”.
Este espaço, que é dedicado à divulgação e à análise dos fatos e atos da economia, tem, nos últimos anos, dado destaque ao protagonismo dos que produzem e trabalham na agricultura e na pecuária e nos seus diferentes segmentos. Empreender no Brasil é difícil; mais difícil é empreender no Nordeste. Porém, fazê-lo no Ceará – onde 90% do seu território estão no semiárido e mais da metade de sua geografia está assentada sobre o cristalino – é um trabalho de Hércules, para poucos.
Se o nordestino é antes de tudo um forte, como observou Euclides da Cunha no seu livro ‘Os Sertões’, o cearense, com absoluta certeza, é alguém que ousa desafiar e vencer a natureza hostil, transformando-a em um polo gerador de riqueza.
Como se explica o crescimento de 25,16% do PIB da agropecuária do Ceara em apenas um ano? A primeira resposta quem dá é Cristiano Maia, empresário de múltiplas atividades na agricultura, na pecuária e na agroindústria e também na indústria – produz camarão, ração para animais, leite e boi para corte. Ele diz com outras palavras:
“O que move e empurra para frente o Ceará é o cearense, que desde criança aprende, no campo, a trabalhar de sol a sol. Ele é algo a ser estudado, pois se adapta rapidamente às diferentes situações. Por exemplo: ele entendeu, há menos de 10 anos, que a carcinicultura tem melhor retorno do que a agricultura, razão pela qual passou a dedicar-se, também, à criação de camarão. E mais: agora, com a possibilidade de o Ceará retomar seu lugar de destaque na cotonicultura brasileira, ele mergulha na tecnologia procurando parceria com a Embrapa em busca de produzir algodão igual ao do Egito, e isto já está acontecendo.”
Gentil Linhares, produtor de soja e camarão e que também comercializa pescados, vai na mesma linha:
“Não conheço brasileiro que tenha mais aptidão para os vários segmentos do agro do que o cearense. Ele aprende tudo muito rapidamente e, em pouco tempo, domina a atividade, tenha ela a tecnologia que tiver, e falo isto por experiência própria”.
Edson Brok, empresário paulista que está no Ceará há mais de 30 anos, onde produz e exporta banana nanica para a Europa, concorda plenamente com as duas opiniões. Ele confessa que, na sua fazenda de produção na Chapada do Apodi, é seu time de colaboradores o responsável pela alta produtividade de sua empresa. “Eles são admiráveis”, diz Brok, que, igualmente, celebra os excelentes resultados do agro do Ceará em 2024.
Marden Vasconcelos, sócio e diretor da Tijuca Alimentos, aplaude seus colegas do agro pelo PIB do setor no ano passado, mas faz questão de dizer que “isso não me causou surpresa, pois a agropecuária do Ceará tem avançado em alta velocidade graças ao talento dos seus empreendedores e, principalmente, à criatividade do trabalhador cearense, que encontra logo solução para o mais complicado problema.”
Rita Grangeiro, que produz coco e feijão verdes em Paracuru, é a voz feminina que, com autoridade, reafirma o que acima foi dito a respeito do agro do Ceará e do produtor rural cearense, incluindo o da Agricultura Familiar:
“Não são apenas os homens que fazem do agro cearense um caso de estudo acadêmico. As mulheres vêm, de poucos anos para cá, revelando-se também muito competentes na gestão de suas fazendas de produção. E vamos provar isto mais uma vez na próxima Pecnordeste, em junho, quando reuniremos 2 mil mulheres da agropecuária do Ceará no Centro de Eventos”.
SUPERMERCADOS DA UNIFORÇA CRESCEM NA PÁSCOA
A Páscoa está chegando e trazendo com ela maior movimentação do comercio varejista, incluindo o setor supermercadista. Pois bem, a Uniforça – entidade que congrega mais de 100 lojas de supermercados no Ceará – está projetando crescimento de 7% nas vendas dos seus associados ao longo deste tempo de Quaresma, que finalizará com a celebração da Páscoa, que é a Ressurreição de Cristo, maior festa mundial do universo cristão
O presidente da Uniforça, Murilo Tavares, disse à coluna que nos supermercados de bairro o gosto do consumidor é semelhante ao das lojas das grandes redes, o que significa dizer que os ovos de Páscoa, os chocolates de famosas marcas e o bacalhau, além do pão de côco, estão entre os itens mais consumidos nesta época.
De acordo com pesquisa do PiniOn e Globo Gente, 55% dos brasileiros – os cearenses no meio – devem preparar refeições especiais para a data, um aumento de 9% em relação ao ano anterior. “Os pescados, especialmente o bacalhau, têm grande procura, principalmente em regiões com forte tradição no jantar de Páscoa. Não podemos deixar de mencionar os vinhos, temperos e azeites, que são componentes essenciais da ceia”, afirma Murilo Tavares, presidente da Rede Uniforça.
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