Fernando Cirino adverte: “Se a Enel deixar o Ceará, vamos nos arrepender”
Ele lembra que, se isso ocorrer, acontecerá aqui o que aconteceu em Goiás, onde o governo e a população arrependem-se de ter tirado a Enel de lá
Ouçam a voz da experiência, pois ela tem muito a ensinar! Fernando Cirino Gurgel, ex-presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e hoje atuando na área imobiliária em parceria com empresas nacionais e estrangeiras geradoras de energias renováveis, mostra-se preocupado com a avalanche de críticas contra a Enel, que distribui energia elétrica em todo o território cearense.
Do alto dos seus 77 anos de vida, tendo enfrentado e vencido desafios das mais diversas naturezas, Cirino decidiu meter sua colher de pau nessa panela de pressão, e ontem transmitiu a esta coluna uma mensagem que tem como destino os seus colegas empresários da indústria, da agropecuária e do comércio. Ele disse:
“Fazer campanha pela não renovação do contrato de concessão da Enel Ceará Distribuidora será um tiro no pé. Anotem aí: se a Enel nos deixar, podem ter a certeza de que sentiremos muitas saudades dela em pouquíssimo tempo. E acontecerá aqui o que aconteceu em Goiás, cujo governo e cuja população são castigados hoje pela precariedade do serviço que presta a empresa que substituiu a Enel naquele estado. Os goianos entendem agora que cometeram um erro quando tiraram de lá a Enel”.
Falando calmamente, expondo de modo didático sua opinião bem argumentada, Fernando Cirino ampliou sua exposição:
“Hoje, a Enel Ceará é dirigida pelo engenheiro José Nunes, um experimentado executivo, que conhece de cor e salteado toda a rede elétrica cearense. Desde quando assumiu o comando da gestão da empresa, Nunes levantou as carências da rede e, de posse desse levantamento, elaborou com sua equipe um Plano Estratégico de Investimento, que, até 2027, terá aplicado no Ceará quase R$ 7,4 bilhões na melhoria dos serviços e dos equipamentos, incluindo novas subestações.”
Cirino acrescentou:
“Conheço a Chapada do Apodi, pois tenho alguns negócios lá. Posso dizer, com absoluta segurança, que os problemas existentes na rede elétrica da região estão sendo enfrentados pela Enel, que instalará uma subestação novinha em 69 KW para atender às comunidades da área e, também, as grandes fazendas que produzem soja, milho, sorgo, algodão e frutas. Quando tudo estiver pronto até o fim deste ano, a rede elétrica da Chapada do Apodi terá tensão constante para mover máquinas e equipamentos dos pivôs centrais de irrigação e, ainda, as instalações de resfriamento de leite produzido lá. E não me surpreenderei se esse cronograma for antecipado.”
Mas não foi só Fernando Cirino Gurgel que acendeu o sinal de alerta para as más consequências que advirão da possibilidade de não renovação do contrato de concessão da Enel Ceará. Outro industrial, o empresário Beto Studart, com quem esta coluna conversou sexta-feira, 16, sobre o tema, emitiu quase a mesma opinião a respeito do que poderia acontecer. Studart disse:
“Fernando Cirino tem razão nos seus argumentos, mas a Enel precisa melhorar – e, realmente, vem melhorando – a prestação do seu serviço. Espero que os investimentos que estão sendo feitos agora colaborem para que o empresariado e os consumidores domésticos deixem de reclamar contra esse serviço, que é essencial para a economia do estado.”
Uma fonte do agro, que pediu o anonimato, revelou que, nas últimas semanas, executivos de fazendas de produção agrícola localizadas na Chapada do Apodi reuniram-se com diretores da Enel, os quais, outra vez, renovaram as promessas de que a rede elétrica que serve à região vem sendo modernizada e adequada para atender a demanda, que é crescente. A mesma fonte confirmou a informação de Fernando Cirino, segundo a qual uma subestação novinha está sendo construída exclusivamente para reforçar a rede elétrica da Chapada do Apodi.
Em tempo: hoje, segunda-feira, 19, o presidente da Enel terá uma reunião com as principais lideranças da agropecuária do Ceará, às quais detalhará o plano de investimentos que a empresa vem executando e que beneficia não somente a Chapada do Apodi, mas outras regiões do estado.
No último sábado, 17, a cúpula da Faec reuniu-se e alinhou uma série de pleitos que apresentará hoje ao presidente da Enel. Amílcar Silveira, presidente da Faec, disse: "Apresentaremos à Enel as prioridades e necessidades do nosso setor em relação ao fornecimento de energia".
Para terminar: a coluna pode informar que, neste momento, é de absoluta tranquilidade e concórdia o clima para a reunião do presidente da Enel com os empresários do agro.
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