Eclipse solar total nessa quarta (12) cruza Europa e Atlântico Norte, mas Ceará fica de fora
Na tarde dessa quarta-feira (12), a Lua Nova se posiciona diretamente entre a Terra e o Sol e projeta sua sombra sobre uma faixa estreita do Hemisfério Norte. O máximo do eclipse acontece às 17h47 no horário universal (UTC), equivalente a 14h47 em Brasília e também em Fortaleza. Na região central, o disco solar fica inteiramente coberto por até 2 minutos e 18 segundos.
O fenômeno é um eclipse solar total. Ele ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, na sequência Terra, Lua e Sol, e encobre por inteiro o disco solar visto daqui, situação possível apenas na Lua Nova.
Ainda assim, não há eclipse a cada Lua Nova, e dois fatores precisam coincidir. O primeiro é o alinhamento. A órbita da Lua é inclinada em relação ao plano no qual a Terra circula ao redor do Sol, e os três corpos só se alinham com precisão quando a Lua Nova cruza esse plano, num ponto chamado nó.
Veja também
O segundo fator é a distância. A Lua percorre uma órbita elíptica, e nesta quarta ela está perto do perigeu, seu ponto mais próximo da Terra, alcançado em 10 de agosto. Mais próxima, aparenta um tamanho ligeiramente maior no céu e mantém o Sol encoberto por mais tempo.
A sombra da Lua durante um eclipse tem duas partes, a umbra e a penumbra, e distingui-las ajuda a acompanhar o fenômeno. A umbra é a região central e mais escura, onde o Sol fica totalmente bloqueado. A penumbra, em volta, é mais clara, e nela o Sol aparece apenas em parte.
Conforme a Terra gira, a umbra desenha sobre a superfície do planeta uma linha longa e estreita. Essa linha é a faixa de totalidade, e somente quem está sobre ela vê o Sol inteiramente encoberto, com a sensação de que o dia vira noite.
Esse escurecimento completo é breve. Dura de poucos segundos a cerca de sete minutos e meio, no máximo teórico, e nessa quarta alcança 2 minutos e 18 segundos. Outro termo útil é ocultação, o ato de um astro esconder outro. Quando se diz que a Lua oculta 90% do Sol, trata-se da fração do disco solar coberta naquele instante.
Onde é possível ver o eclipse solar?
A faixa de totalidade começa no extremo norte da Sibéria, perto do polo, desce pelo Ártico e passa pelo leste da Groenlândia, o oeste da Islândia, uma longa travessia sobre o Atlântico Norte, o norte da Espanha e um pequeno trecho do nordeste de Portugal, na altura de Bragança.
Fora dela, uma região bem mais ampla é alcançada somente pela penumbra, e ali o eclipse aparece parcial. Assim ocorre em quase toda a Europa, no Reino Unido e na Irlanda, onde a ocultação supera 90% em vários pontos, além do noroeste da África e do norte dos Estados Unidos e do Canadá. Para a Espanha e Portugal, é o primeiro eclipse solar total a alcançar o continente europeu desde 1999.
Nos poucos minutos de totalidade, com o brilho direto do Sol bloqueado, surge no céu a coroa solar, a camada externa e rarefeita da atmosfera do Sol, normalmente apagada pela luz intensa do disco. Esse é o único instante em que se pode olhar para o eclipse sem proteção.
Em todas as outras fases, o eclipse parcial incluído, a observação exige filtros solares próprios, sob risco de dano permanente à visão. Óculos comuns e de sol não protegem.
Como os antigos anteviam os eclipses
Muito antes de se conhecer a mecânica das órbitas, povos da Antiguidade já acertavam a data dos eclipses. O segredo estava na paciência do registro. Astrônomos babilônios, ao anotar eclipses durante séculos, perceberam um ritmo regular no retorno do fenômeno.
Depois de cerca de 18 anos e 11 dias, a geometria entre Sol, Terra e Lua praticamente se repete, e um eclipse semelhante volta a ocorrer. Esse intervalo é hoje chamado de ciclo de Saros.
O nome guarda uma curiosidade. Foi o astrônomo inglês Edmond Halley quem o cunhou, em 1691, ao tomar a palavra grega saros de um léxico bizantino, no qual ela indicava uma medida e um número usados pelos caldeus.
O termo vem do babilônio sar, que exprimia o número 3.600. A escolha foi, a rigor, equivocada, pois a palavra não nomeava originalmente o ciclo dos eclipses, mas pegou e permanece.
Registros chineses igualmente antigos guardam observações de eclipses ao longo de milênios. A previsão nascia da leitura de padrões acumulados por gerações, sem qualquer noção da geometria tridimensional envolvida. O eclipse desta quarta pertence a uma dessas famílias, a série Saros de número 126, da qual é o 48º de 72 eclipses.
Eclipse será visto do Ceará?
Nenhuma parte do Brasil acompanhará o fenômeno. A sombra da Lua fica restrita ao Hemisfério Norte, e nem a faixa de totalidade nem a zona de penumbra alcançam o território brasileiro.
Para quem observa do Ceará, a próxima chance de ver o Sol encoberto virá em 6 de fevereiro de 2027, e ainda assim de forma parcial e discreta.
Um eclipse solar total, com a escuridão em pleno dia e a coroa à mostra, só voltará a ser visto daqui em 12 de agosto de 2045. Até lá, há consolos mais próximos no céu.
Já na madrugada de 28 de agosto deste ano, uma Lua eclipsada e avermelhada poderá ser observada de todo o Estado, tema para outra coluna. Antes dela, trarei mais detalhes sobre como se fazem as previsões dos eclipses.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.