Como fazer lavagem nasal corretamente? Evite erro que contribuiu para doença de João Inácio

Combinação entre quadro de sinusite e técnica inadequada resultou em hospitalização do apresentador.

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
(Atualizado às 17:11)

O apresentador João Inácio Jr. revelou, nesta semana, que está hospitalizado devido ao diagnóstico de mastoidite bilateral, infecção grave que atinge o osso mastoide, localizado atrás da orelha. A condição foi desencadeada pela combinação entre lavagens nasais inadequadas e um quadro de sinusite.  

Ao Diário do Nordeste, ele explicou que usou uma pressão excessiva ao utilizar uma ducha nasal para aplicar soro nas vias aéreas e, assim, aliviar os sintomas da doença respiratória. 

No entanto, a intensidade da força teria feito o líquido invadir as tubas auditivas do comunicador, favorecendo a proliferação de bactérias e o desenvolvimento do quadro, que provoca dor de ouvido, secreção e dificuldade para ouvir. Em casos graves, a doença pode evoluir para uma meningite ou precisar de tratamento cirúrgico.

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Sentir dor, ardor ou pressão no ouvido ao utilizar dispositivos de lavagem nasal são sinais de técnica inadequada, explica à coluna a fisioterapeuta do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), Jamille Soares.

"A lavagem nasal não deve gerar pressão suficiente para 'forçar' passagem contra resistência, para evitar desconforto auricular, otite ou irritação de mucosa nasal", detalha a profissional, que recomenda que o ideal é aplicar uma pressão suave

Outro ponto de atenção ressaltado pela especialista é a frequência, já que higienizar as vias aéreas de forma excessiva pode irritar a mucosa nasal, causando ressecamento e sensação de ardência em algumas pessoas. 

Montagem com duas imagens sobre saúde nasal. À esquerda, detalhe de uma pessoa segurando uma seringa com bico aplicador inserida na narina e uma xícara, demonstrando o procedimento de lavagem nasal. À direita, o apresentador João Inácio Júnior deitado em um leito de hospital, ilustra o caso de infecção grave decorrente de sinusite combinada com lavagens nasais inadequadas.
Legenda: Apresentador está hospitalizado desde a semana passada, mas passa bem.
Foto: Kmpzzz/Shutterstock e reprodução.

Dicas e cuidados para realizar a técnica corretamente

A forma recomendada para realizar a lavagem nasal varia de acordo com a idade, explica a fisioterapeuta. No entanto, algumas orientações são as mesmas, independentemente da faixa etária, como o uso de soro fisiológico 0,9% ou solução salina apropriada. Já o volume também muda conforme a idade e a orientação profissional.

Outra recomendação geral é inclinar a cabeça levemente para frente e para o lado durante a lavagem, mantendo a boca ligeiramente aberta. 

Em relação à frequência, Jamile explica que a quantidade também varia de acordo com a idade e o quadro de saúde do paciente. Por exemplo, para quem está saudável, mas deseja prevenir doenças, o recomendado é de uma a duas lavagens nasais por dia, especialmente pela manhã e/ou antes de dormir. 

Já em casos de infecção respiratória, como gripe ou como o quadro de sinusite relatado por João Inácio Jr., a fisioterapeuta aconselha aumentar o número de higienizações para duas a quatro vezes ao dia, ou de acordo com a orientação de um profissional especializado. 

“Em bebês e crianças, não existe uma regra única. Geralmente, antes das mamadas, antes de dormir e quando houver acúmulo de secreção causando desconforto”, acrescenta. 

Os tipos de dispositivo usados na lavagem são outro ponto que muda conforme a idade. Enquanto adultos podem recorrer a duchas nasais, como a utilizada por João Inácio Jr., bebês devem evitar o equipamento. A seguir, veja o que a fisioterapeuta recomenda para cada fase da vida: 

  • Recém-nascidos e lactentes: seringa ou conta-gotas.  
  • Crianças: seringas, frascos compressivos, dispositivos de fluxo contínuo adaptados para a faixa etária.  
  • Adolescentes, adultos, idosos: seringas, garrafas de irrigação nasal, dispositivos de irrigação por gravidade e frascos compressivos. 

A especialista ainda destaca mais alguns cuidados importantes na hora de realizar a higienização, entre eles:

  • Usar soro fisiológico ou solução salina apropriada; 
  • Higienizar o dispositivo usado para a lavagem antes e após cada utilização; 
  • Não compartilhar equipamentos; 
  • Trocar seringas e frascos periodicamente;  
  • Em crianças pequenas, realizar o procedimento com delicadeza e supervisão de um adulto.

Quem pode fazer lavagem nasal?

Apesar de exigir cuidados, como os citados anteriormente, Jamille frisa que a lavagem nasal é uma técnica considerada segura e recomendada para todas as idades, desde bebês a idosos. 

De um modo geral, a lavagem nasal com solução fisiológica é considerada segura, evitando situações de infecções respiratórias, alergias ou conforme orientação médica ou de outro profissional de saúde que esteja acompanhando o paciente.”
Jamille Soares
Fisioterapeuta

Quais são os benefícios?

A lavagem nasal auxilia na higiene e na hidratação das vias aéreas superiores, possibilitando a remoção de secreções, de agentes infecciosos e de poluentes presentes na cavidade nasal. Na prática, a especialista detalha que a técnica ajuda a prevenir doenças e complicações do sistema respiratório. 

Porém, os benefícios não param somente nesses pontos. Higienizar as vias aéreas regularmente em bebês, por exemplo, que respiram predominantemente pelo nariz nos primeiros seis meses, facilita a amamentação, melhora a qualidade do sono, alivia a congestão nasal e reduz o desconforto respiratório causado pelo acúmulo de secreção.  

Em crianças, que são mais vulneráveis a infecções respiratórias devido à exposição escolar, a técnica atua auxiliando no tratamento de resfriados e de rinossinusites, comuns nessa fase. 

Além de prevenir doenças, a lavagem nasal em adolescentes e adultos também pode controlar sintomas de rinites e de sinusites e melhorar o sono e a respiração. Já nos idosos, a técnica mantém a mucosa nasal hidratada, reduz desconfortos respiratórios e evita infecções respiratórias.

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