Mastoidite: doença que hospitalizou João Inácio pode causar perda auditiva e até meningite

Geralmente aparece como complicação de uma infecção no ouvido médio que não recebeu tratamento adequado.

Escrito por João Lima Neto joao.lima@svm.com.br
23 de Junho de 2026 - 20:45

Após revelar que está internado há cinco dias para tratar uma mastoidite bilateral, o apresentador João Inácio Jr., criador do meme "Será que?", chamou atenção para uma doença considerada séria grave. O Diário do Nordeste buscou um especialista no assunto para falar sobre causas, sintomas e tratamento da infecção. 

Segundo o médico otorrinolaringologista João Flávio Nogueira (CRM- CE 9344/RQE 4414), a mastoidite é uma infecção que atinge a mastoide, região localizada atrás da orelha e que faz parte do osso temporal.

"A mastoidite é uma infecção que atinge essa porção mastoide do osso temporal. Esse osso está aqui atrás da orelha da gente. Ele é poroso, tem pequenas cavidades que precisam estar cheias de ar e que se comunicam com uma região que a gente chama de ouvido médio", explicou.

Como surge a mastoidite

De acordo com o especialista, a doença geralmente aparece como complicação de uma infecção no ouvido médio que não recebeu tratamento adequado.

"Quando a infecção desse ouvido médio, especialmente uma otite média, não é tratada adequadamente, as bactérias que estão lá podem se espalhar para a mastoide, provocando uma inflamação ou infecção", afirmou o médico.

O profissional de saúde também alerta para um hábito que se tornou comum após quadros de sinusite. "Atualmente, as lavagens nasais, principalmente depois de uma sinusite com pus e secreção no nariz, podem levar essas secreções contaminadas para dentro do ouvido se a lavagem nasal for feita de forma inadequada". 

Além da otite média aguda, a mastoidite também pode estar associada a infecções crônicas do ouvido.

A mastoidite também pode surgir após infecções crônicas do ouvido, principalmente otite supurativa crônica ou otite colesteatomatosa. O colesteatoma é um tumor que pode dar no ouvido, causar infecções locais e também levar à mastoidite
João Flávio Nogueira
Otorrinolaringologista

Sintomas mais comuns

Os sinais da doença costumam aparecer na região próxima à orelha e podem se agravar rapidamente.

Segundo João Flávio Nogueira, os principais sintomas são:

  • Dor intensa atrás da orelha;
  • Vermelhidão na região;
  • Inchaço local;
  • Febre persistente;
  • Saída de secreção pelo ouvido;
  • Sensação de pressão ou desconforto auditivo;
  • Perda auditiva parcial;
  • Dificuldade para dormir.

"Em muitos casos, a orelha pode parecer deslocada para frente, como se fosse uma orelha de abano, devido ao edema. Tem um inchaço nessa região atrás da orelha", destacou João Flávio.

Quem tem maior risco de desenvolver a doença

O principal fator de risco é a falta de tratamento ou o tratamento inadequado das infecções do ouvido.

"O principal fator de risco da mastoidite é quando a infecção não é tratada ou quando é tratada de forma inadequada", explicou o profissional de saúde. 

Também apresentam maior vulnerabilidade:

  • Crianças;
  • Idosos;
  • Pessoas com imunidade comprometida;
  • Pacientes com infecções recorrentes no ouvido;
  • Casos de diagnóstico tardio;
  • Situações de resistência bacteriana.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa no consultório, por meio da avaliação clínica realizada pelo otorrinolaringologista.

O diagnóstico é eminentemente clínico. Ele começa com o exame otorrinolaringológico. O médico examina o ouvido e principalmente essa região atrás da orelha em busca de sinais característicos da doença
João Flávio Nogueira
Otorrinolaringologista

Exames complementares também podem ser necessários.

"Um hemograma pode ajudar a identificar a presença de infecção. Em casos suspeitos ou mais graves, a tomografia computadorizada é frequentemente solicitada para avaliar o comprometimento da mastoide e suas possíveis complicações".

Complicações podem atingir o cérebro

Embora os antibióticos tenham reduzido significativamente os casos graves, a mastoidite ainda pode provocar consequências severas quando não tratada.

"A mastoidite pode destruir estruturas ósseas da mastoide, provocar abscessos e permitir que a infecção se espalhe para outras regiões próximas, principalmente o sistema nervoso central", disse o médico. 

Nos casos mais graves, podem ocorrer:

  • Meningite;
  • Infecções cerebrais;
  • Trombose de vasos sanguíneos da cabeça;
  • Perda auditiva permanente;
  • Alterações de equilíbrio;

"Quando o diagnóstico é tardio, essa infecção pode se estender para os ossos vizinhos e para estruturas intracranianas", explicou João Flávio. 

Tratamento geralmente exige internação

O especialista explica que muitos pacientes precisam permanecer internados para receber antibióticos diretamente na veia. "Esse tratamento geralmente envolve antibióticos, muitas vezes administrados por via intravenosa. O paciente tem que internar no hospital para ficar fazendo antibiótico na veia".

Em algumas situações, a cirurgia torna-se necessária. "Quando não há melhora clínica ou quando existem complicações, a cirurgia de drenagem é indicada".

O procedimento, conhecido como mastoidectomia, remove o tecido infectado e elimina o material acumulado na região. "A mastoidectomia remove esse tecido infectado, limpa esse osso da mastoide e permite que esse pus seja totalmente retirado".

Quando procurar ajuda médica

João Flávio Nogueira alerta que alguns sintomas exigem avaliação médica imediata.

Os sinais de alerta incluem:

  • Febre alta persistente;
  • Piora progressiva da dor de ouvido;
  • Vermelhidão ou inchaço atrás da orelha;
  • Saída de secreção pelo ouvido;
  • Deslocamento da orelha para frente;
  • Tontura intensa;
  • Dor de cabeça muito forte;
  • Sonolência excessiva.

"Esses sintomas podem indicar que a infecção está evoluindo para uma condição muito mais grave e deve ser vista rapidamente por um médico", ressaltou o médico.

Apesar dos riscos, o profissional ressalta que o prognóstico costuma ser excelente quando o tratamento é iniciado precocemente. "A mastoidite é uma condição séria, mas quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada, ela tem 100% de cura".

Ele conclui com um alerta para pacientes que tiveram infecções de ouvido ou sinusite recentemente. "Diante dos sinais de alerta, especialmente depois de uma infecção do ouvido ou de uma sinusite, procure avaliação com um médico otorrinolaringologista sem demora".

Assuntos Relacionados

Edição do Dia

1

2 3 4 5