Gripou após tomar a vacina da influenza? Entenda como age o imunizante

Especialistas explicam se o imunizante pode causar gripe e se protege contra todos os tipos de resfriados.

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
Legenda: O vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais.
Foto: Yurii Yarema/Shutterstock.

Com o início da campanha de vacinação contra a influenza no Ceará na última semana, é possível que surjam algumas dúvidas, como se a vacina pode provocar gripe ou se ela protege contra todos os tipos de resfriado. À coluna, especialistas explicam como age o imunizante e quais são os mitos e as verdades sobre ele. 

Voltada para todas as pessoas a partir dos seis meses, a vacina tem, atualmente, doses distribuídas gratuitamente no território cearense aos grupos prioritários, compostos pelos mais vulneráveis à doença, como crianças e idosos — que são os mais hospitalizados devido a formas graves da condição no Estado — e profissionais que atuam em serviços essenciais. 

Os demais cidadãos que não se enquadram como prioritários, mas querem se imunizar logo, podem buscar estabelecimentos privados, como clínicas e farmácias, que vendem e aplicam a vacina

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A afirmação de que a vacina contra a influenza pode provocar gripe é um mito. Como o imunizante é feito com vírus inativados, ele não pode causar a doença, conforme destaca o Ministério da Saúde. 

Além disso, a dose leva cerca de 15 dias para fazer efeito, então, se você ficou resfriado após se vacinar, é possível que já estivesse infectado antes ou logo depois de receber o fármaco, como explica a coordenadora de Imunização da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Ana Karine Borges.  

Às vezes, a pessoa já está com outro vírus ou algum processo infeccioso no organismo, então toma a vacina e diz que não teve o efeito, mas não é isso. Depois de tomar a vacina, tem esse período, de duas a três semanas, para que haja a produção de anticorpos.”
Ana Karine Borges
Coordenadora de Imunização da Sesa

Mesmo que não desencadeie um quadro gripal, o imunizante da influenza pode provocar alguns sintomas semelhantes à doença, como febre, dor no corpo e de cabeça, mal-estar, sensação de fraqueza, entre outras reações adversas descritas na bula de doses produzidas pelo Instituto Butantan.  

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A especialista da Sesa detalha que o imunizante protege contra os tipos mais comuns da doença — as influenzas A e B —, mas que há outros microorganismos que podem causar resfriados

No Ceará, rinovírus e SARS-CoV-2 são exemplos de agentes que circulam no território e provocam síndromes respiratórias. Entre os principais estão:

  • Influenza;
  • Rinovírus;
  • Adenovírus;
  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR);
  • Metapneumovírus;
  • SARS-CoV-2.

Inclusive, o último foi responsável pela pandemia de Covid-19 e também pode ser prevenido por vacinação.

A influenza possui uma alta capacidade de mutação, com o surgimento de novas variantes — como é o caso da gripe K, com circulação já identificada no Ceará. Por isso, a composição da vacina é atualizada anualmente conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essas recomendações se baseiam em dados epidemiológicos sobre os diferentes tipos e subtipos de vírus influenza que circulam no mundo.

Como age a vacina da influenza?

O fármaco contra influenza age estimulando o organismo a produzir a própria proteção contra a gripe, detalha a bula do Butantan. O efeito aparece de duas a três semanas após a aplicação e persiste, geralmente, de seis meses a um ano.

Ao longo do período de eficácia, os níveis de anticorpos produzidos pela vacina reduzem gradualmente. Além disso, devido à natureza mutante do vírus da influenza, é recomendável que a imunização seja realizada anualmente. 

É importante esclarecer que, conforme o Ministério da Saúde, a vacina não impede totalmente que a pessoa contraia o vírus da influenza, mas reduz as chances de complicações, internações e mortalidade, principalmente entre os mais vulneráveis. Inclusive, de acordo com a bula do produto, em algumas situações, a gripe pode levar a complicações como pneumonias virais e bacterianas. 

O médico sanitarista Álvaro Madeira Neto frisa que, para evitar o desenvolvimento de formas graves da condição, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a vacinação anual contra a gripe é a medida mais efetiva.

“Apesar de não cobrir todos os vírus causadores de SRAG, a imunização reduz muito as complicações graves dessas infecções e diminui as hospitalizações, sobretudo relacionadas à influenza”, destaca.

Além da imunização contra a influenza, o profissional ainda destaca a importância de os mais vulneráveis manterem a caderneta de vacinação atualizada com as vacinas da Covid-19 e a antipneumocócica — que protege contra doenças como pneumonia, meningite e sepse.

A recomendação tanto do médico quanto de Ana Karine é que a população que pertence aos grupos prioritários procure os postos de vacinação, portando o documento de identificação e, se possível, cartão de vacinação. No Ceará, alguns públicos devem apresentar documentação que comprove a elegibilidade, como laudos médicos para pessoas com comorbidades e comprovantes de vínculo profissional para trabalhadores da saúde e professores.

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