Além do cigarro, o que pode causar câncer de pulmão? Conheça riscos

Apesar de causar a maioria dos casos, outros fatores também podem provocar a doença.

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
Legenda: Tosse persistente pode indicar o diagnóstico da condição, que é a que mais mata no Ceará.
Foto: 19 STUDIO/Shutterstock.

O tabagismo é responsável pela maioria dos casos de câncer de pulmão, mas nem sempre esse tipo de neoplasia é causada pelo cigarro tradicional ou eletrônico. Na verdade, cerca de 20% dos pacientes acometidos pela doença nunca fumaram, e isso ocorre devido a uma série de fatores de risco, como elementos ambientais, genéticos e condições de saúde.

No Ceará, esse tipo de tumor é o que mais causa mortes, conforme a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Já no cenário nacional, ele é o segundo mais letal, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Devido à gravidade, neste mês acontece o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização e à prevenção da condição.

Veja também

Os altos índices de mortalidade estão associados ao fato de que a doença costuma ser silenciosa. Quando o paciente percebe algum sintoma — como tosse persistente, dor torácica, escarro com sangue ou rouquidão —, o estágio já está avançado. É o que explica à coluna o cirurgião torácico da Rede Instituto do Câncer do Ceará (ICC), Renato Torrano.

O mito de que apenas tabagistas podem ter câncer de pulmão é outro elemento que pode contribuir para a demora em procurar ajuda, aumentando as chances de diagnóstico tardio, ressalta o especialista. 

Quando existe a falsa percepção de que apenas fumantes adoecem, muitos pacientes acabam demorando para investigar sintomas persistentes, o que pode comprometer as possibilidades de tratamento.”
Renato Torrano
Cirurgião torácico

Conhecer os fatores que elevam o risco do câncer de pulmão, para além do tabagismo, pode aumentar as chances de cura. Essa conscientização ganha ainda mais urgência diante do impacto da doença no cenário nacional, em que o tumor pulmonar figura como o quarto mais frequente.

Segundo estimativas do Inca, o Brasil registrará 781 mil novos casos de câncer até 2028 — com exceção do câncer de pele não melanoma —, englobando mais de 100 tipos da doença. O impacto dessa projeção se reflete no cenário local: no Ceará, a previsão é de que 32.830 novos diagnósticos sejam consolidados no mesmo período.

O que pode causar câncer de pulmão?

Embora fumantes correspondam a cerca de 80% dos casos da doença, pessoas que não têm contato com cigarro — seja ele tradicional ou eletrônico — ainda podem desenvolver esse tipo de tumor. 

O primeiro fator que eleva o risco para a condição é ser fumante passivo, ou seja, apesar de não fumar, a pessoa frequentemente inala de forma involuntária a fumaça de produtos derivados de tabaco, aponta Torrano. 

Além dele, o médico aponta outros elementos, como:  

  • Exposição a agentes químicos, tais como amianto (asbesto);
  • Predisposição genética;
  • Histórico de câncer de pulmão na família;
  • Exposição à poluição atmosférica;  
  • Doenças pulmonares crônicas, como enfisema pulmonar e bronquite crônica.

Como prevenir a doença?

Para reduzir as chances de desenvolver esse tipo de câncer, o especialista destaca que a principal forma de prevenção é evitar o consumo de produtos derivados do tabaco (cigarros convencionais, eletrônicos, charutos, cachimbos e narguilés), além de reduzir a exposição à fumaça de terceiros e a agentes nocivos presentes em determinados ambientes de trabalho, priorizando o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) quando indicados.

Manter hábitos saudáveis, praticar atividades físicas regularmente e buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes também fazem parte das medidas de cuidado.”
Renato Torrano
Cirurgião torácico

Sinais já apontados no início da coluna podem indicar um possível tumor pulmonar. “O indivíduo que apresenta esses sintomas de forma persistente precisa investigar. É muito importante que ele não deixe de procurar atendimento médico logo nos primeiros sinais de alerta”, frisa o médico.

Assuntos Relacionados