Fortaleza vive oscilação natural e não há motivo para alarde. Mas é preciso saber: o sarrafo subiu

Bastou o Fortaleza ficar quatro jogos sem ganhar para se questionar: "o que está acontecendo?"

Vojvoda na beira do campo
Legenda: Vojvoda tem feito bom trabalho no Fortaleza
Foto: Fabiane de Paula/SVM

Há, no futebol brasileiro, uma espécie de histeria pelo caos. Basta uma sequência de jogos sem vencer (mesmo que pequena) para que surjam os questionamentos antes escondidos (ou inexistentes). A passionalidade dos torcedores e até mesmo a forma como age parcela da própria imprensa nacional contribui para isso.

Vejamos o exemplo do Fortaleza. Com um futebol envolvente, vistoso, efetivo, que entregou ótimos desempenhos e resultados de forma consistente, é a sensação do Campeonato Brasileiro. Mas bastou ficar quatro jogos sem ganhar e já se questiona: o que está acontecendo?

Nada de alarmante. Uma oscilação natural, que todos os times passam em um campeonato de pontos corridos que tem 38 rodadas. É praticamente impossível passar de ponta a ponta sem nenhum momento de irregularidade.

O Palmeiras, por exemplo, também passou quatro jogos sem vencer, mas amargando três derrotas seguidas, com um confronto direto (contra o Atlético-MG) e outras duas partidas em casa (para o próprio Fortaleza e Cuiabá).

É uma sequência pior que a atual do Tricolor, que acumula quatro empates (sendo que no Brasileirão são três). Se não ganhou, também não perdeu, e nem saiu do G-4.

CONTEXTO DOS JOGOS

Lucas Crispim ajeita bola para cobrar pênalti
Legenda: Contra o Santos, Lucas Crispim perdeu pênalti na reta final
Foto: Fabiane de Paula/SVM

Mais que olhar os resultados, é preciso entender, também, o contexto das partidas. Contra Santos e Juventude, pênaltis desperdiçados nos momentos finais que poderiam ter decretado duas vitórias a mais na conta.

Contra o São Paulo, uma reação impressionante com dois gols além dos 40 minutos e um empate que diminuiu aquilo que seria um prejuízo imenso e teve gosto de vitória para um confronto eliminatório de 180 minutos.

O jogo contra o Cuiabá, sim, deve ser visto com mais calma para refletir sobre os erros cometidos, o que o próprio Vojvoda admitiu.

Realizar alguns ajustes de marcação (sobretudo quando o adversário contra-ataca e com atenção especial ao lado esquerdo), ter maior velocidade na circulação da bola para furar defesas retrancadas e aproveitar melhor oportunidades criadas são pontos fundamentais para evolução, mas já vistos antes mesmo destes últimos quatro jogos.

O SARRAFO SUBIU

Lucas Crispim disputa bola contra o Cuiabá
Legenda: Contra o Cuiabá, Fortaleza de fato fez jogo abaixo. A cobrança nesse tipo de partida será maior pela expectativa gerada pelo próprio time
Foto: Kid Junior/SVM

O Fortaleza, porém, precisa saber que o sarrafo subiu. Pelo desempenho apresentado e pelos resultados conquistados, o próprio Tricolor estabeleceu uma expectativa alta que, se não for correspondida, desencadeará cobranças maiores.

De 18 rodadas do Brasileirão, o Leão do Pici pontuou em 15, com apenas três derrotas. O torcedor ficou mal acostumado (ou bem) não apenas em não ver o time perder, mas em vencer adversários complicados, como Atlético-MG, Palmeiras, Bragantino, Corinthians, São Paulo, etc.

Por isso, um empate contra o Cuiabá, em casa, tem uma lamentação maior. Desperdiçar penalidades, embora seja parte do jogo, também não é visto com muita tolerância.

A margem segue boa, e bastará retomar o caminho das vitórias para acabar com desconfianças.