Como e por que Tinga se reinventa com Vojvoda e vira terceiro zagueiro no Fortaleza

O fato de Vojvoda ter utilizado Tinga desta maneira contra o Galo não quer dizer que será sempre assim. Mas é interessante ver como, em pouco tempo, o argentino já encontra variações e alternativas dentro do próprio elenco

Tinga comemora gol marcado pelo Fortaleza
Legenda: Poupado no último jogo, Tinga volta a ser titular
Foto: Kid Júnior / SVM

Um dos destaques na vitória do Fortaleza por 2 a 1 sobre o Atlético-MG foi o lateral-direito Tinga. E chamou atenção como o camisa 2 desempenhou dupla função na partida. Não somente como lateral, mas principalmente como um terceiro zagueiro, algo que inclusive já havia ocorrido contra o Atlético-CE, pelo Estadual. Muitos podem não entender, mas a alternativa de Juan Pablo Vojvoda tem motivos e explicamos aqui como e por que Tinga se reinventou para cumprir este papel.

Antes de tudo, é preciso compreender o que o técnico argentino quer dos seus jogadores. Na entrevista pós jogo, Vojvoda deixou claro. "Eu creio que no futebol atual, mais que posicionamento...no futebol moderno, deve-se utilizar as características (dos jogadores) para resolver situações dentro do campo de jogo".

O princípio da utilização de Tinga como terceiro zagueiro é este: utilizar as características do gaúcho de 27 anos para resolver situações dentro das partidas.

Características

Jogador Tinga, do Fortaleza, marca Marrony, do Atlético-MG
Legenda: Com postura tática perfeita, Tinga foi providencial em desarme capital. No lance seguinte, o Tricolor marcaria o gol da vitória
Foto: Atlético-MG

Tinga é um jogador de muita força, bom condicionamento físico, que tem velocidade e explosão, se posiciona bem e tem noção de ocupação de espaços, vence duelos individuais, bom no jogo aéreo ofensivo e defensivo e que realiza boas coberturas defensivas. Inclusive foi determinante para evitar um gol do Atlético quando o jogo estava ainda 1 a 1.

Embora não seja um lateral extremamente técnico, tem boa qualidade de passe, o suficiente para iniciar as construções das jogadas ofensivas. 

O que Vojvoda quer é potencializar essas características dentro de um modelo de jogo de forma que beneficie o coletivo, o time.

Saída com três

Fortaleza faz saída com três defensores
Legenda: Fortaleza faz saída com três defensores contra dois atacantes do Atlético. Superioridade numérica gera vantagem ao Tricolor no início de construção ofensiva. Tinga é bastante acionado nesta fase
Foto: PremiereFC/Reprodução

A saída de três tem como objetivo gerar superioridade numérica no início da construção das jogadas. Assim se tem mais tranquilidade e alternativas para trocar passes em busca de espaços.

Com Tinga como um terceiro zagueiro, o Fortaleza ganha fôlego para sair jogando pelo lado dele, garantindo ainda mais liberdade para o outro ala atacar ciente que tem alguém ocupando o setor, e não vai deixar "as costas livres" (Daniel Guedes iniciou o jogo, não foi bem, mas no 2º tempo Yago Pikachu entrou e decidiu a partida).

A presença de Tinga garante mais segurança e solidez pelo lado direito da defesa do Fortaleza, e é também um importante ponto de equilíbrio para que se possa, por exemplo, colocar Lucas Crispim como ala pelo lado esquerdo.

Linha defensiva

Linha defensiva do Fortaleza
Legenda: Quando o Atlético tinha a bola, o Fortaleza formava uma linha defensiva com quatro jogadores. Crispim no lado esquerdo e Tinga passava a ocupar espaço como lateral. Presença de Daniel Guedes "dobrava" a lateral, garantindo mais solidez pelo setor, que era um ponto forte do Atlético com Guilherme Arana, que fez jogo discreto. A marcação funcionou
Foto: PremiereFC/Reprodução

Mas quando o Fortaleza não tinha a bola, em muitos momentos, ele voltava a ser lateral. Com Daniel Guedes dobrando e garantindo mais defensores no setor.

Isso ocorreu muito por conta do adversário. O lado esquerdo do Atlético-MG é muito forte, sobretudo com os apoios de Guilherme Arana, que costuma chegar muito ao ataque. Mas pouco foi efetivo contra o Fortaleza. A marcação funcionou.

O fato de Vojvoda ter utilizado esta formação contra o Galo não quer dizer que será sempre assim. Mas é interessante ver como, em pouquíssimo tempo, o argentino já encontra variações e alternativas dentro do próprio elenco para o que o treinador tem como ideia central: resolver situações de jogo.

Dois pontos a se destacar: como o treinador consegue extrair o melhor do atleta e como o atleta se dedica e se empenha para realizar o que pede o treinador.

A "reinvenção" de Tinga é uma grande prova disso.