O Parque do Cocó queima e Fortaleza inteira sofre

Quando maior, extenso e mais duradouro for um incêndio, maior é o tempo necessário para que a natureza se regenere. Em muitos casos, os prejuízos são irreversíveis.

incendio parque do coco
Legenda: Toneladas de dióxido de carbono são lançadas na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. O habitat de aves e mamíferos é destruído, os animais são mortos e todo o conjunto microbiológico, invisível, é dizimado.
Foto: Foto: Fabiane de Paula

Desde ontem, parte significativa do Parque do Cocó queima e a cidade sofre. Este espaço verde, um dos maiores parques urbanos brasileiros, é decisivo para a qualidade de vida na cidade de Fortaleza. As relações rio-vegetação-animais criam um ecossistema a produzir inúmeros serviços naturais gratuitos, porém com valor incalculável e insubstituível.

Lamentavelmente, só notamos a necessidade de atenção e de cuidado ao Parque quando seu equilíbrio dinâmico é quebrado. Não sei exatamente a causa do incêndio, se criminoso ou acidental, contudo, as perdas são enormes. 

Quando maior, extenso e mais duradouro for um incêndio, maior é o tempo necessário para que a natureza se regenere. Em muitos casos, os prejuízos são irreversíveis. 

Anotemos as consequências socioambientais. Toneladas de dióxido de carbono são lançadas na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. O habitat de aves e mamíferos é destruído, os animais são mortos e todo o conjunto microbiológico, invisível, é dizimado. Ciclos bioquímicos e relações ecológicas são alteradas e muitos dos efeitos de tudo isso só sentiremos lá na frente.

Para a dinâmica da aglomeração social urbana outros problemas são destacáveis. O número de partículas dispersas diminui a qualidade do ar e tende a ampliar crises respiratórias, principalmente, em idosos e crianças.

Enquanto escrevo, sinto fortemente o cheiro de fumaça e meu sistema respiratório padece. A visibilidade nas vias mais próximas ao incêndio cai e há elevação da possibilidade de acidentes de trânsito".
Como sempre, os bombeiros têm trabalhado duro, porém as dificuldades para contenção do sinistro impedem uma resolução rápida. Pensem o quanto de recursos públicos são utilizados para suplantar este problema? Aí está mais uma razão para justificar a investigação a fim de descobrir as causas e os possíveis responsáveis por esse desastre natural-urbano. 

Manter uma área verde no espaço da cidade é dádiva. Assim sendo, a sociedade precisa entender a responsabilidade de cuidar deste patrimônio ambiental. Quanto menos modificá-lo, melhor funcionarão os sistemas ambientais, e por mais que não percebamos, melhor será o bem estar urbano.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.