A força e o talento das atletas brasileiras em Tóquio

Salto de Rebeca Andrade na trave
Legenda: Rebeca Andrade é medalhista de prata na Ginástica Artística
Foto: Loic Venance/AFP

A brasileirinha Rebeca Andrade conquistou ontem, nas Olimpíadas de Tokyo2020, a primeira medalha individual na ginástica artística brasileira, com a prata. A jovem de 22 anos, de Guarulhos, em São Paulo, superou muitas adversidades que teve em sua vida, começou a treinar ainda criança, aos 4 anos em sua cidade.

É filha de Dona Rosa Santos, mãe solo que criou sete filhos. Rebeca se mudou para Curitiba sozinha bem nova para treinar, passou por momentos difíceis, sentiu muito a pressão de treinamentos intensos, passou por algumas cirurgias no joelho e pensou em desistir muitas vezes da carreira de atleta, mas a sua mãe sempre lhe deu muita força e coragem para persistir e seguir, com o apoio da equipe técnica. 

O cuidado com a parte psicológica de um atleta é fundamental. As cobranças e a pressão interferem no seu desempenho e às vezes acontece uma pane e a/o atleta precisa de uma pausa para cuidar da saúde mental e respeitar sua fragilidade em um determinado momento, como aconteceu com a ginasta Simone Biles durante uma apresentação esta semana, em Tóquio. Ela foi medalha de ouro na Rio2016.

Usain Bolt deixou sua marca na galeria de grandes atletas, com uma bela carreira. Em 2016, decidiu encerrar sua carreira no esporte. Simone Biles e Djokovic são estrelas da mesma constelação que estão em Tokyo2020. Esta Olímpiada acontece com 1 ano de atraso por causa da pandemia da Covid-19, sem público, com testagem diária e com atletas mascarados antes de começarem a competir, alguns até optaram por jogar mascarados, como jogadores do vôlei brasileiro.

Mas mesmo com o distanciamento físico, há calor humano entre os representantes de diferentes nações. No time Brasil, destaco a torcida, durante a competição entre si, das skatistas veteranas, Pâmela e Letícia, com a novata Rayssa Leal, de 13 anos, que foi prateada na final. Na madrugada da última segunda feira (26) aqui, no Brasil, a fada Rayssa brilhou na manhã ensolarada de Tóquio, a menina carismática de Imperatriz, no Maranhão, de adorável sorriso, competiu com tranquilidade e alegria. Dividiu o pódio com duas japonesas bem jovens, a idade entre as 3 somou só 41 anos. Rayssa dá um grande orgulho para o nosso Nordeste.

E ainda falando sobre os nordestinos, o equilíbrio e plasticidade do potiguar Italo Ferreira sobre as ondas de Tsurigasaki o consagraram com o primeiro ouro olímpico para o surfe, modalidade que estreou nas olimpíadas.

A força das mulheres é bem representada pelas brasileiras em Tokyo2020. Elas vêm dando um show no Japão em diversas modalidades, no judô com o bronze de Mayra Aguiar, que é a primeira judoca a conquistar medalhas em três olimpíadas; no tênis com a dupla Luisa Stefani e Laura Pigossi, que busca o bronze; no vôlei feminino, que já ganhou os 3 jogos dos quais disputou, entre tantas outras atletas brasileiras que vêm se destacando do outro lado do mundo.

Estes Jogos Olímpicos podem ser chamados de jogos da persistência, resiliência e do sagrado. Ao acompanhar a transformação e adaptabilidade dos japoneses, que estão acostumados a enfrentarem furacões e terremotos, podemos aprender um pouco sobre como viver com as adversidades e desafios, principalmente agora que o mundo tem que se reinventar e viver da melhor forma neste novo tempo. E nada como as Olímpiadas para reunir e integrar as nações incentivando a prática da solidariedade.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.