Educação esportiva: o que é ser campeão?

Neymar tirando a medalha de prata da Copa América 2021
Legenda: Quando receberam a medalha de prata, a maioria dos atletas a retiram do pescoço imediatamente
Foto: Carl de Souza/AFP

Neste último fim de semana, nos dias 10 e 11 de julho, aconteceram duas finais de competições importantes do futebol mundial, a Eurocopa, no Estádio de Wembley, na Inglaterra, com a disputa entre as seleções da Inglaterra e da Itália, e a Copa América, no Maracanã, no Brasil, com disputa entre as seleções do Brasil e da Argentina. Nas disputas, Itália e Argentina conquistaram a medalha de ouro.

Nos dois eventos, houve a mesma atitude dos jogadores vice-campeões, de muita estupidez a meu ver, um gesto deselegante, de falta de educação e de ética esportiva. Durante a entrega de medalhas, o Brasil e a Inglaterra tiveram o mesmo comportamento, mesmo conquistando o feito de chegar até a final das respectivas competições e conquistarem o expressivo e importante segundo lugar. 

Após jogarem bem e com equilíbrio entre os dois times, agiram de forma desrespeitosa com os seus torcedores e com os organizadores das competições. Quando receberam a medalha de prata, a maioria dos atletas a retiram do pescoço imediatamente, este que é um objeto tão simbólico e importante ao fim de uma competição. 

Por não serem os vitoriosos do jogo da final, desprezaram e desmereceram todo um trabalho e mérito depois de ficarem entre os 2 melhores times da competição.

Esse ocorrido reflete como a sociedade em geral só dá importância ao resultado do time que chega em primeiro lugar e apaga toda a trajetória dos demais participantes.

O significado da palavra derrota tem um peso por si só pejorativo, como um sofrimento, e muitos procuram justificar a “falha” e achar desculpas e culpados por não serem os “campeões”.

Esse fato não corresponde à ideologia que o esporte se propõe a passar para as pessoas. A prática esportiva visa trazer a integridade humana e auxiliar na socialização da sociedade, especialmente no ocidente. 

A educação esportiva no oriente é bem diferente, onde o esporte é desenvolvido como um processo, uma “viagem”, sem levar tanto em conta qual será o destino final. Os orientais enxergam uma constante evolução no nosso potencial humano, não só no físico como na mente, sem se importar tanto com o resultado.

Voltando ao fato da recusa da medalha de prata pelos atletas das seleções inglesa e brasileira, muitos agiram desta forma simplesmente para imitar companheiros de equipe e outros foram condicionados pela forma como a sociedade menospreza o segundo lugar. O pior é quando o capitão do time, que deveria dar o bom exemplo, faz exatamente o contrário.

Aprendi a ter coragem para jogar e me preparar como um campeão na minha trajetória no esporte. Sempre aprendo algo com os adversários, atravesso percalços, mas sempre persisto e sigo em frente. 

A vitória não é ilustrada somente pela conquista do primeiro lugar, há todo um processo que cada time, ou indivíduo, vive para competir e, ao atravessar obstáculos e dificuldades, podemos considerar que cada processo pelo qual passamos é uma vitória.

Podemos olhar o esporte como algo além de uma atividade, mas como uma aula/disciplina que amplia nosso pensar sobre o contexto mais amplo da vida.

O esporte deve ser desfrutado como uma filosofia de vida e bem estar, que nos traz momentos de percepção sobre quem somos e conhecimentos sobre habilidades e capacidades que às vezes nem reconhecíamos em nós mesmos. 

Viver no esporte, com o esporte e para o esporte é uma vitória em si. Viver a vida de forma saudável e em movimento traz benefícios para todo o nosso ser. Viva a vida em movimento!

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.