Atletas recusam redução salarial coletiva; Ceará e Fortaleza devem negociar individualmente

Para sinalização positiva de qualquer negociação, a entidade pede ainda pagamento de salário anteriores

Legenda: CBF teve faturamento de R$ 957 milhões em 2019
Foto: Foto: Vanderlei Almeida/AFP

A Comissão Nacional de Clubes (CNC) teve a proposta de redução de 25% dos salários dos jogadores recusada nesta quarta-feira (25) pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FNAPF). A medida é uma das soluções propostas pelas equipes para manter o elenco mesmo sem partidas oficiais por conta da pandemia do novo coronavírus.

Um acordo, no entanto, pode ocorrer quanto ao período de férias. A CNC havia proposto 20 dias, enquanto a organização dos atletas readequou a medida para 30 dias - entre 1º e 30 de abril- com pagamento integral das férias e o terço constitucional até o dia 4 de maio.

Para sinalização positiva de qualquer negociação, a entidade pede ainda pagamento de salário e de parcela de imagem referente ao mês de março até o dia 7 de abril. Por fim, exige que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) resguarde os jogadores e puna as equipes que não efetuarem o pagamento. A posição contrária ao salário diminuído, segundo a Fenapaf, tem respaldo na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Ceará e Fortaleza vão construir as próprias negociações

Diante do impasse salarial, as diretorias de Ceará e Fortaleza estudam soluções individuais com cada respectivo elenco. A medida seria em abstenção ao solicitado pela CNC, que prevê determinação coletiva.

Os clubes acreditam na solução pelo histórico de contas em dias com os jogadores. A relação então ajudaria na busca por uma saída financeira, que envolvesse perda tanto para o elenco como para as instituições.

Confira documento e notas da organização:

"A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol vem a público e a comunidade esportiva brasileira, em geral, dizer que segue acompanhando o desenrolar das tratativas a fim minorar os efeitos da paralisação das competições de futebol no país em decorrência da grave crise de saúde pela qual passa a humanidade.

Vimos aqui reiterar absoluta e irrestrita solidariedade às famílias das vítimas já acometidas pela enfermidade, sem não antes de ressaltar que estamos absolutamente vigilantes e dispostos à colaborar no sentido de incrementar de informações nos meios de comunicação as orientações emitidas pelos órgãos de saúde governamentais.

Para isto, os atletas de futebol profissional do Brasil não se furtarão de colocar as suas imagens e mensagens de cuidados redobrados e atenção aos comandos das organizações de saúde, prioritariamente o isolamento social, não aglomerar e fazer constante higienização.

Igual modo, saibam que todos estamos dispostos a dividir soluções conjuntas para que os custos da reconstrução sejam compartilhados, afinal de contas, somos um só povo, na alegria e na tristeza.

Sobre a proposta apresentada pela Comissão Nacional de Clubes sobre a sequência do cumprimento das obrigações contratuais durante o período da paralisação, informamos que a posição colhida dos sindicatos de classe e da grande maioria dos atletas, e remetidas à esta Federação, foi enviada oficialmente ao representante da Comissão, Dr. Mário Bittencourt, expediente deste 25/03/20, às 17h.

Reiteramos que o momento é de união de todos pois juntos iremos ganhar este campeonato da saúde e da vida, nosso bem maior."

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